palco alternativo

Música para se ver: Mark Seliger, de fotógrafo a frontman country

Novembro 10, 2009 · Deixe um comentário

[por Andréia Martins]

red hotEm 1992, os meninos do Red Hot Chili Peppers foram capa da revista Rolling Stone em trajes… ou melhor, sem traje algum. Irreverentes, foram fotografados nus, no auge do sucesso do disco Blood Sugar Sex Magik. O autor da foto foi o texano Mark Seliger, mais um fotógrafo que tem seu nome na história do rock e que, de tanto registrar figuras e momentos marcantes da música, acabou rendendo-se a ela. Mas vamos ao início, onde tudo começou.

Seliger pegou gosto pelas imagens ainda adolescente, em Houston. Na faculdade, começou a trabalhar como assistente de outros fotógrafos. Cansado da mesmice do trabalho, decidiu encarar Nova York, a cidade onde, certamente, muito mais estaria acontecendo.  “Decidi que, se queria mesmo saber como as pessoas trabalhavam e entender o que era o mundo da fotografia editorial, tinha de me mudar para Nova York”, diz.

A sorte parece ter decidido acompanhá-lo. Ao chegar em Manhattan, logo arrumou um emprego de assistente de fotografia, no qual ficou por dois anos. Depois, trabalhou na revista Manhattan Inc., onde conseguiu visibilidade para um voo maior: a revista Rolling Stone.

Foram mais de 90 capas em 10 anos na revista, ícone da cultura pop dos anos 90. Tudo e todos que foram notícia no mundo das artes passaram por ela, e grande parte disso foi registrada pelas lentes de Seliger.

De lá pra cá, já são 23 anos de carreira e uma extensa lista de artistas fotografados como Metallica, White Stripes, Paul McCartney, Chuck Berry, Ray Charles, Diana Krall, Snoop Dog, Gilberto Gil, Ozzy Osbourne, Bono, Kurt Cobain, Courtney Love, B.B. King, Bob Dylan, Eric Clapton, Bruce Springsteen, Sheryl Crown, Eddie Vedder, Tom Waits, entre tantos outros.

tom waits

O "balé" de Tom Waits

Com um vasto material, contando um pouco da história de gêneros como o hip hop, o rock, blues e country, Seliger reuniu todas as suas fotos no livro, que ele veio lançar no Brasil em agosto desse ano: Mark Seliger – The Music Book. “O livro é uma boa biblioteca do meu trabalho. Mergulhei nos arquivos de anos de música que retratei e selecionei aquelas fotos que tinham um tom histórico e icônico, tendo como referência todas as sessões que fiz”, afirma. “O processo me trouxe grandes memórias e serviu como uma redescoberta da fotografia para mim”, comenta ele sobre o livro.

Entre suas fotos históricas estão a de Johnny Cash, com o violão nas costas, e o close de Kurt Cobain, tirado poucas semanas antes da morte do líder do Nirvana, em abril de 1994. “É um peso que todo mundo carrega nas costas. Como alguém podia estar tão triste?”, diz ele sobre o momento pelo qual passava Cobain.

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Cash, clicado em 1992

kurt cobain

Retrato de Kurt Cobain

“Tento conceitualizar as fotos que vou fazer. Eu escolho um estilista, um cabelereiro e maquiador, encontro um local e pesquiso sobre o artista. Tenho muitas ideias. Umas simples outras bem complicadas”, diz o fotógrafo sobre como pensa e executa seus trabalhos.

“Eu tento conhecer um pouco sobre a pessoa antes de ir à sessão de fotos. Eu também tento observar o que ela faz quando está parada na minha frente. Quando essas pessoas entram com amigos no estúdio e ainda estão conversando, eu posso pegar um gesto, um movimento ou algo qe eles estejam fazendo que me levam à fotografia”.

metalica

A banda Metallica

Rusty Truck: Seliger assume o microfone

Hoje, Seliger assina fotos para as revistas Vanity Fair, GQ e Vogue italiana. Aos 50 anos, ainda vive e trabalha em Manhattan, no bairro do West Village e, há poucos anos, resolveu explorar um outro lado seu: o de cantor e compositor.

banda rusty

Seliger, de azul, com sua banda

Seliger sempre tocou violão e gostou de cantar. Lembra que no seu bar mitzvah, ganhou uma guitarra e desde então passou a tocar, começando com as músicas e Cat Stevens. Mais velho, inspirações não faltaram para que o fotógrafo decidisse entrar na música, saindo de trás da câmera, para ser o frontman da banda Rusty Truck.

Segundo ele, a música como atividade profissional aconteceu meio sem querer. A brincadeira deu certo. Começou a ser chamado para programas, turnês, festivais, e a banda já tem dois discos lançados: Broken Promises, de 2003, que ganhou elogios dos críticos do seu antigo local de trabalho, a Rolling Stone, e Luck’s Changing Lanes, de 2008.

O CD tem colaborações de nomes como Willie Nelson, Lenny Kravitz, Sheryl Crow e Jakob Dylan. As canções são todas de autoria de Seliger, a maioria inspirada em sua infância e adolescência, com uma pegada mais country do que rock.

Com experiência na produção de videoclipes – ele já produziu vídeos dos amigos Lenny Kravitz, para quem também fotografou um álbum exclusivo, Elvis Costello, entre outros – ele aproveitou para fazer alguns vídeos da sua própria banda. Um dos destaques é o vídeo da música So Long, Farewell, que reúne vídeos caseiros de Seliger ainda criança.

Mesmo depois de tanto tempo de carreira e uma nova empreitada pela frente, Seliger ainda diz ter uma lista de fotos para fazer, como Prince, Madonna e Michael Jackson, pessoas que ele lamenta ainda não ter clicado. E é bom ele correr contra o tempo, pois as oportunidades podem acabar quando menos se espera. Que o diga o rei do pop…

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Babilaques: música e poesia, do Iggy Pop ao ZZ Top e à Zizi Possi

Novembro 2, 2009 · Deixe um comentário

 

BABILAQUES

Babilaques: derrubando os muros de Berlim da arte

[por Andréia Martins]

Pegue uma pitada de poesia, duas colheradas de distorção nas batidas sonoras e uma dose de irreverência sessentista nos sentidos. Bata tudo no liquidificador e prepare-se para conhecer os Babilaques.

O banda cruzou o caminho do Palco Alternativo assim, por acaso, na madrugada da última Virada Cultural, em São Paulo, na Casa das Rosas. Naquele dia, os Babilaques – Axé Silva (guitarra), Cacá (voz) e Gabriel Ruman (violão e baixo), além dos músicos convidados Remi Chatain (sopros, vibrafone, baixo e percussão), Gustavo Galo (voz e violão) e Fran Landim (percussão e voz) – faziam sua estreia.

“Fazer nossa estréia na Casa das Rosas culmina com a ideia central que Os Babilaques desejam: nossa proposta é desenvolver um projeto cultural. Fundir poesia e música e brotar dessa junção algo chamado canção é uma das vertentes que desejamos mostrar”, diz Axé.

Mix de gerações

Uma das coisas que mais chama atenção na banda é a diferença de gerações entre os integrantes, algo curioso, mas que parece ser justamente o flavour dos Babilaques.

CARVALHO

Axé e Carvalho

“Sou oswaldiano: só me interessa o que não é meu. É a diferença que me traz o que eu não tenho. Tenho tédio da redundância, da mesmice, do tudo igual: chega de chocar de novo o mesmo velho ovo. Quero algo de novo sob o sol: quero a diferença! Sou pós-tropicalista: curto a estética da mistura, adoro conjugar os contrários. Sou blakiano  – saca aquele poeta visionário inglês que influenciou os Doors? – sem os contrários não há progresso. No mesmo caldeirão, a gente cozinha diferentes idades e estilos. A gente bate tudo no liquidificador”, diz Carvalho, ou Cacá.

Misturar gerações significa misturar influências e experiências. Cacá e Axé compartilham histórias, sejam dos 20 anos de profissão como professores de cursos pré-vestibulares ou da caminhada com o PT apoiando “um Lula ainda de esquerda”, nas palavras de Cacá, até o nascer do rock oitentista com a Blitz, Barão, Legião e outros.

Já Gabriel é ex-aluno de Cacá. “Com ele construo outra história,  saco novos comportamentos da geração dele, sinto outra vibe”, conta Cacá, que já descobriu que a gente envelhece mesmo é na mente e não no corpo:

“Às vezes com 20 você tem mais a dizer do que o cara com 40. Às vezes com 20 é um caretão. Lembro do Rogério Duarte, guru dos tropicalistas, dizendo em seu livro Tropicaos que falta muita chama nestes jovens velhos. A garotada tem pressa,  procura o mesmo que os pais, como na música Como nossos pais. Vieram ao mundo para repetir, não para criar. Jovem sem ousadia é velho, pô!”.

Para Gabriel, a ideia é a mesma: “Há diferenças claras no perfil de cada um. Cada um traz novas referências, novo material.  Sintonia e identidade. As relações não têm porque se limitar a congruências etárias. Somos todos diferentes, mas essencialmente convergentes”.

O início

Os Babilaques nasceram num encontro entre amigos, numa tarde de sol à beira da piscina. Cacá mostrou alguns de seus poemas, Gabriel pegou o violão e começou a tocar ‘algo’ que tinha inventando nas férias e que não saía da cabeça. “Me deixava obcecado-atormentado-fascinado (algo bem simples do ponto de vista musical, nada demais)”, diz ele. Mau, outro amigo, disse: ‘continua tocando! Não para!’. “Aí nasceu nossa primeira composição, Desoriente-me”, conta Gabriel.

O nome

O nome foi inspirado na palavra criada por Waly Salomão para dar nome à sua proposta artística, um nome livre de definições, ideias e sentidos. “É um nome que abole a fronteira entre os gêneros: os babilaques de Waly não eram foto, pintura, caligrafia, poesia, mas tudo ao mesmo tempo agora. Tudo a ver com a nossa ideia de derrubar os muros de Berlim das artes…”, diz Cacá.

Poesia que nasce música, música que nasce poesia ou pororoca que vira canção?

Entre uma poesia musicada e outras que já cantavam silenciosamente no papel, Cacá não se diz compositor, apenas letrista. Até parece coisa fácil. “Não consigo dar vida sozinho às letras que escrevo. Dependo dos meus parceiros, como extensões de mim. Quando minhas letras encontram as melodias que eles criam, viram uma pororoca chamada canção”, diz.

“Quando escrevo, procuro ouvir o ruído das letras no papel, a música das palavras no texto. É um ouvir meio de surdo: ouvir no silêncio da página, perceber o ritmo e a cadência dos versos” completa ele.

gabriel

Gabriel: "Ouvivemos (ouvimos, vivemos e vemos) a música, ou nada!"

“Às vezes se juntam materiais inteiros, às vezes se juntam meia-letra com meia-música, outras vezes surge a música ou a letra no momento, não possuímos padrões”, diz Gabriel, que vai pela percepção, ao se deixar sentir e levar pelo que cada música pede da melodia. “Ultimamente, cada vez mais viemos compreendendo melhor o que significa uma canção. A canção em si tem sua própria linguagem. Palavra e música devem conversar”.

Para ouvir os sons babilaquianos

Todo o mês, em uma quarta-feira, a Casa da Rosa torna-se palco da Revista Cultural, um projeto que une artes com um tema específico, funcionando como uma Revista ao vivo. E quem está lá: os Babilaques.

“Nesse projeto realizamos um bate-papo com o público e convidados especiais. Alinhavando isso tudo estão nossas canções e outras que estejam ligadas ao tema central da apresentação”, explica Axé. Para novembro e dezembro os temas serão Edgar Alan Poe e Natal, respectivamente.

Fora isso, o site – www.babilaques.com.br – deve ficar pronto em breve e em novembro, a banda começa a gravar músicas para disponibilizar no MySpace. Aliás, por lá você já ouve uma canção: “Sabor com Flavour”.

Para mais do flavour babilaquiano, você pode assistir a alguns vídeos gravados na Virada Cultural e sentir um gostinho desse mix de poesia, música, performance, convergência, transferência, palavras, versos, rimas …

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O que há pra se ouvir na 33ª Mostra Internacional de Cinema de SP?

Outubro 24, 2009 · Deixe um comentário

Ler as 131 páginas de programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo não é das tarefas mais gostosas.  Pensando em facilitar a vida de quem gosta de música e, neste caso, de filmes sobre música, o Palco Alternativo separou boas pedidas relacionadas ao universo musical.

E nunca é demais lembrar: a programação é de responsabilidade da organização do festival e está sujeita a alterações. O que você ler abaixo é o que consta no site da Mostra. Se algo for alterado, provavelmente será avisado antes.

Anote aí e boa sessão:

A ÁRVORE DA MÚSICA
L240Longa sobre o pau-brasil, madeira encontrada apenas no Brasil e que tornou-se vital para o som dos violinos e outros instrumentos de corda. Desde os tempos de Mozart, há 250 anos, quando foi utilizado pela primeira vez, músicos e fabricantes de instrumento de todo o mundo ainda não descobriram uma madeira de qualidade comparável que pudesse substitui-lo. Já pensou que o futuro da música erudita depende da preservação dessa madeira?

Diretor: Otávio Juliano / Ano: 2009 / País: Brasil / Duração: 78 min.

25/10 19:10 Unibanco Arteplex 4
02/11 16:00 Cinema da Vila
03/11 14:00 MIS

ACONTECEU EM WOODSTOCK

woodstockSerá que a missão de Woodstock era apenas celebrar a liberdade, a música? Bom, nesse filme, Ang Lee conta como o festival salvou um hotel, o El Monaco, que ficava próximo a White Lake, local do festival.  Acredite…

Diretor: Ang Lee / Ano: 2009 / País: EUA / Duração: 110 min.

24/10 00:00 Unibanco Arteplex 2
25/10 22:50 CineSesc
26/10 19:30 HSBC Belas Artes 2
01/11 21:30 Cinemark – Shopping Cidade Jardim

QUEM VOCÊ AMA

Os irmãos imigrantes Leonard e Phil Chess administram um ferro-velho em Chicago na década de 40. Nas horas livres, Leonard é atraído pela cena noturna de Chicago, onde os músicos de blues do sul dos EUA exibem seus trabalhos. Empolgado com a música, Leonard convence Phil a investir as economias que possuíam para abrir o próprio clube. Em pouco tempo, lançam artistas como Muddy Waters em disco. A lista logo cresce, com Leonard lançando outros mestres como Willie Dixon, Chuck Berry, Little Walter e Howlin` Wolf e Etta James.

Diretor: Jerry Zaks / Ano de produção: 2008 / País: EUA / Duração: 90 min.

27/10 21:20 Unibanco Arteplex 4
28/10 18:00 Centro Cultural São Paulo
29/10 14:30 Unibanco Arteplex 3
31/10 16:30 HSBC Belas Artes 2

ALL TOMORROW’S PARTIES

tomorrowFestival com uma banda só? Existiu. O tema do longa é o festival de música alternativa All Tomorrow`s Parties, uma combinação improvável de música alternativa, minigolfe e chalés, organizado por uma única banda ou artista. O filme usa material gravado pelos próprios músicos e fãs em diversos formatos para contar a história do evento, capturando o espírito livre de um universo musical alternativo.

Diretor: All Tomorrow´s People, Jonathan Caouette / Ano de produção: 2009 / País: Reino Unido / Duração: 82 min.

29/10 21:40 Unibanco Arteplex 5
30/10 19:30 Cine Olido
02/11 17:40 Cine Bombril Sala 2
04/11 18:00 Centro Cultural São Paulo

A TODO VOLUME

edgeThe Edge (U2), Jimmy Page (Led Zeppelin) e Jack White (The White Stripes) compartilhar suas histórias entre si e com o público. Eles contam como desenvolveram o som e o estilo de tocar os instrumentos favoritos, explicam seus estilos, os motivos que os levam a compor, e mostram suas novas músicas.  Para quem é fã do U2, vai conhecer o colégio onde a banda se formou, com um tour guiado por Edge.

Diretor: Davis Guggenheim / Ano de produção: 2009 / País: EUA / Duração: 100 min.

24/10 18:10 Reserva Cultural Sala 1
25/10 20:30 Cinemateca – sala Petrobras
27/10 00:00 Cine Bombril Sala 1
28/10 21:30 HSBC Belas Artes 2
29/10 21:00 HSBC Belas Artes 2
30/10 18:40 Unibanco Arteplex 1 

CONTINUAÇÃO

lenineContinuação do que você já conhece de Lenine: o músico, o compositor, o criador. Lenine recorre a suas primeiras experiências com música para falar das incertezas que a era dos downloads (e do vinil) trouxe ao seu trabalho.

Diretor: Rodrigo Pinto / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 71 min.
 
24/10 19:40 Unibanco Arteplex 2
25/10 14:00 Cine Bombril Sala 2
26/10 13:00 Unibanco Arteplex 3

MAMONAS PRA SEMPRE (O DOC)

Em menos de 10 meses, a banda Mamonas Assassinas saiu do anonimato para um dos maiores fenômenos da música brasileira. Irreverentes, inteligentes, sarcásticos e criativos, o grupo arrebatou o Brasil e, em pouco mais de seis meses, vendeu dois milhões de cópias de discos. Material inédito e depoimentos de parentes, amigos, produtores e músicos recontam a trajetória do grupo, os desafios, a ascensão e o trágico acidente aéreo que matou todos os seus integrantes em 1996.

Diretor: Claudio Kahns / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 90 min.

26/10 12:00 Reserva Cultural Sala 1

O PODER DO SOUL

Que tal ver, em um palco em Zaire, James Brown, BB King, Bill Withers e Celia Cruz? Praticamente um culto ao soul. O filme traz cenas de um evento de três noites em Zaire, o festival Zaire’74, em 1974. Organizado por Hugh Masekela e Stewart Levine, o festival rolou no mesmo dia e hora em que Muhammad Ali e George Foreman disputavam o peso pesado mundial. Você saberia qual dos dois escolher?

Diretor: Jeffrey Levy-Hinte / Ano de produção: 2009 / País: EUA  / Duração: 92 min.

25/10 16:10 Unibanco Arteplex 1
27/10 18:00 Unibanco Arteplex 3
28/10 13:30 CineSesc
30/10 22:00 Unibanco Arteplex 4
31/10 21:50 Espaço Unibanco Pompéia 2

HAVANYORK

Nos mais diversos bairros de Havana e Nova York, as reflexões de músicos das duas cidades sobre suas raízes, da evolução dos instrumentos de percussão aos fundamentos do hip hop. O discurso rebelde e contestatório convida a refletir sobre a contracultura e outras realidades paralelas que surgem em todos os sistemas políticos.

Diretor: Luciano Larobina / Ano de produção: 2009 / País: México / Duração: 90 min.

24/10 20:00 Unibanco Arteplex 5
25/10 20:00 Centro Cultural São Paulo
26/10 14:00 Unibanco Arteplex 4
28/10 14:00 Unibanco Arteplex 1

ROCK BRASILEIRO – HISTÓRIA EM IMAGENS

Se na Mostra passada o rock brasileiro marcou presença com um documentário contando a história dos Titãs, dessa vez o gênero volta em peso com um filme que conta a trajetória do rock brasileiro dos anos 50 até o presente, com depoimentos de cantores como Roberto Carlos, Ronnie Cord e Tony Campello, e de grupos como Secos & Molhados, Mutantes, Blitz!, Paralamas do Sucesso, Titãs e Ultraje a Rigor.

Diretor: Bernardo Palmeiro / Ano de produção: 2009 / País: Brasil / Duração: 67 min.

 30/10 21:20 Espaço Unibanco Augusta 3
01/11 15:40 Cinema da Vila
03/11 12:00 Reserva Cultural Sala 1

TOM ZÉ ASTRONAUTA LIBERTADO

tomzeEle já foi tema de documentário em outra Mostra e no ano passado assinou o desenho da edição 32.  Tom Zé já está virando figura carimbada e fundamental na Mostra Internacional. Nessa edição, ele volta em um documentário feito a partir de uma Oficina de Experimentação Musical ministrada pelo músico em Astúrias, na Espanha, o filme faz uma retrospectiva de seus achados musicais e de sua contínua experimentação musical desenvolvida desde os anos 1970. Por meio de arquivos históricos e mostrando sua passagem por diferentes palcos do Brasil e da Europa e pelo estúdio de gravação, o filme lança luz sobre a original metodologia  – nada convencional – de criação do artista.

Diretor: Ígor Iglesias González / Ano de produção: 2009 / País: Espanha / Duração: 90 min.
 
24/10 19:20 CineSesc
27/10 19:50 Cinema da Vila
30/10 21:10 Espaço Unibanco Pompéia 10
31/10 12:00 Cine Bombril Sala 1

UM INSTANTE PRECISO

drexlerRetrato íntimo e sereno do músico Jorge Drexler durante oito dias de turnê pela Catalunha, em novembro de 2007. Um testemunho do processo criativo do músico nos bastidores, acompanhando a preparação meticulosa do artista e sua equipe antes de entrar no palco e a generosidade ao compartilhar o palco com outros músicos. Para quem gosta de Moska, Lenine, Drexler é um prato cheio e fundamental…

Diretor: Manuel Huerga / Ano de produção: 2008 / País: Espanha / Duração: 95 min.

24/10 16:30 Espaço Unibanco Pompéia 2
26/10 21:20 Espaço Unibanco Pompéia 10
04/11 19:30 Unibanco Arteplex 4

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Música para se ver: Bob Gruen, o fotógrafo R’n'R

Outubro 19, 2009 · Deixe um comentário

[por Natasha Ramos]

Com mais de quatro décadas de carreira, são dele, o fotógrafo rock’n’roll, imagens clássicas de ícones da música, como John Lennon, Sid Vicious e Rolling Stones

Bob Gruen recebe o prêmio de “Imagens Clássicas”por seus anos fotografando momentos históricos do rock’n’roll, durante cerimônia de premiação em Londres da revista Mojo, em 2004

Bob Gruen recebe o prêmio de “Imagens Clássicas”por seus anos fotografando momentos históricos do rock’n’roll, durante cerimônia de premiação em Londres da revista Mojo, em 2004

Não é preciso dizer que Bob é um grande fã de música, em especial de rock.  E, como todo bom fã de música, sua paixão começou cedo. Mas antes mesmo de ele pensar em assistir a seu primeiro show, o novaiorquino teve contato com algoq ue se tornaria sua profissão e o uniria definitivamente a sua grande paixão.

“Fotografia era o hobby de minha mãe. Quando eu era bem pequeno ela me levou para sua câmara escura, onde revelava suas fotos. E quando eu tinha oito anos, meus pais me deram um presente, a minha primeira câmera. E eu venho tirando fotos desde então. Quando estava no colegial eu fiquei amigo de alguns artistas e, depois desse tempo na escola, comecei a morar com uma banda de rock e fiz as fotos para eles enviarem a uma gravadora. A gravadora gostou do meu trabalho e fui fazendo uma sessão atrás da outra”, disse Bob durante sua passagem ao Brasil, em 2007, para a abertura de sua exposição “Rockers”.

Bob e Supla

Bob e Supla

Considerado o fotógrafo oficial da família Lennon entre 1970 e 1980, a ideia inicial da exposição, que surgiu do encontro de Bob e Supla na Big Apple (NY), era abordar a vida de Lennon, já que o fotógrafo havia acabado de lançar o livro John Lennon The New York Years. Porém, ao ver a gama de imagens registradas ao longo dos anos sobre diversos músicos, esta proposta foi ampliada e o foco da exposição caiu sobre a obra de Bob Gruen.

“Conheci John e Yoko em 1971, pouco depois de eles terem se mudado para Nova York. Éramos amigos e vizinhos e, por nove anos, fui seu fotógrafo pessoal quando eles precisavam de fotos para publicidade ou para a capa de algum álbum ou para sua família”, conta Bob no livro homônimo à exposição.

Bob não se considera um fotojornalista, já que não se limita a registrar os fatos, mas sempre gostou de dividir seus sentimentos durante uma sessão de fotografia. “Tento, com as minhas fotos, mostrar um pouco da paixão, um pouco do meu ‘feeling’ por trás do que aconteceu”, conta.

Na hora certa, no lugar certo

Se Cartier-Bresson é o fotógrafo do “instante decisivo”, pode-se dizer que Bob Gruen é o fotógrafo da “hora certa, no lugar certo”. Vivendo no estilo do rock, Gruen ficou amigo de muitos músicos que encontrou e pôde fotografá-los em ambientes casuais. Muitas das bandas com as quais trabalhou não eram famosas quando as conheceu. Assim, ele pôde registrar seus momentos iniciais.

“A primeira banda que vi tocar em um teatro foram os Rolling Stones, em 1964, na Academia de Música de Nova York. Imediatamente me tornei fã eterno. Pelo estilo, atitude e musicalidade. Eles são o grupo que todo mundo venera”, conta.

Durante suas mais de quatro décadas de trabalho, Bob-enciclopédia-do-rock-Gruen acompanhou desde o nascimento do punk, passando pelo auge do Led Zeppelin, até os últimos anos de Elvis Presley.

Quando a objetiva de Gruen focou o Led Zeppelin pela primeira vez, a banda já tocava para enormes platéias e já tinha seu próprio avião, 1973

Quando a objetiva de Gruen focou o Led Zeppelin pela primeira vez, a banda já tocava para enormes platéias e já tinha seu próprio avião, 1973

Vários artistas já posaram ou foram flagrados por suas lentes fotográficas

Rolling Stones, Nova York, 1972

Rolling Stones, Nova York, 1972

Sex Pistols 'sorrindo', 1977

Sex Pistols 'sorrindo', 1977

Sid Vicious, em San Antônio (EUA), 1978

Sid Vicious, em San Antônio (EUA), 1978

John Lennon, Nova York, 1974

John Lennon, Nova York, 1974

John Lennon e Yoko Ono, NYC, 1972

John Lennon e Yoko Ono, NYC, 1972

Bob Dylan, Nova York, 1974

Bob Dylan, Nova York, 1974

The Clash, Boston, 1979

The Clash, Boston, 1979

“Vestidos para matar”, Kiss, NYC, 1974

“Vestidos para matar”, Kiss, NYC, 1974

David Bowie - Luvas de Boxe, 1974

David Bowie - Luvas de Boxe, 1974

Mas o trabalho de Bob, hoje com 64 anos, não se limita ao passado. Por onde passa, sua câmera está sempre a postos para captar novidades do mundo da música. Um bom canal para conferir e acompanhar seu trabalho é seu site oficial: www.bobgruen.com .

Fotos: Rockers, Bob Gruen

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Toró Instrumental: uma chuvarada sonora no underground paulistano

Outubro 16, 2009 · Deixe um comentário

 toro banda

[por Andréia Martins]

Como o próprio nome sugere, o que você vai ouvir – e ver – com o Toró Instrumental é uma chuvarada sonora, destilada por onde a banda perambula na noite paulistana, em casas como o Inferno, Bar B, Sarajevo, Syndikat entre outros.

Formada no ABC Paulista, a banda traz uma diversidade musical facilmente explicada pela variedade de influências e experiências acumuladas por cada um dos quatro integrantes: Daniel Carrera (trombone), Felipe Maia (bateria, e que tabém toca no Júpiter Maçã e com Edgar Scandurra), Ricardo Mingard (percussão), Caio Duarte (baixista) e Marcelo Laguna (teclado).

E é com essa formação baixo, teclado, bateria e trombone – não falta uma guitarra por aí? eles garantem que nem sentem falta! – que essa banda do ABC vem conquistando cada vez mais ouvintes dispostos a ouvir algo novo, criativo e que supere expectativas.

O resultado é um som que pode soar diferente a cada apresentação, reunindo elementos da música brasileira a outras produzidas em outros cantos, um jazz-tropical onde eles exploram elementos do samba, baião afro-beat, funk, jazz e ritmos folclóricos brasileiros.

“Ser uma banda original de som particular hoje em dia tem contado muito. Tocamos o que criamos, o que gostamos e o que queremos. Talvez isso seja um grande aliado. Ainda mais quando a cena a cada dia fica mais competitiva e mais restrita é preciso tocar o que realmente ’sai de dentro’ naturalmente”, comenta Carrera sobre a boa fama da banda na capital paulista.

O gosto pelo improviso, vindo do jazz, também contribui para essa pegada libertária da Toró, num cenário onde cada vez mais bandas investem num tipo de recriação do jazz. “O jazz é um estilo de música das mais libertárias, o que dá inumeras possibilidades de complementações e experimentações. Não acreditamos que seja a bola da vez, pois o jazz sempre sobrevive num pequeno cenário, às vezes até muito elitizado, mais sobrevive pois sua riqueza é incontestável e seus caminhos são infinitos”, diz Carrera ao Palco Alternativo.

Primeiro disco à caminho

Criada em 2007, a Toró está gravando o seu primeiro álbum e, para isso, escolheu o formato que mais valoriza a banda: ao vivo. “Esse primeiro álbum será basicamente o que tocamos nas noites de 2008/2009 nos clubes de Sampa. Algumas delas já tocávamos desde o ínicio do projeto e outros temas como Perdido e a dançante Eletron entraram para o repertório logo em seguida. Nessa gravação não escolhemos um estúdio de gravação apenas e mesclamos com algumas gravações ao vivo, pois acreditamos que ao vivo a Toró tem resultado bem satisfatório e não gostaríamos de perder essa pegada do show”, diz o trombonista.

A proposta diferenciada também mostra uma visão de que a música pode ser algo além de um mero produto cultural, servindo também de estímulo público e social.

“A própria valorização da cultura brasileira é importante e precisa ser valorizada. O que seria de todos sem nossas raízes por mais que elas estejam sendo direta ou indiretamente abafadas por uma midia que a cada dia globaliza mais e mais? Muitas pessoas que apreciam a boa música brasileira, acreditam que ela se extinguiu no inicio da década de 80 buscamos resgatá-la naturalmente e complementá-la com outras influências de forma instrumental”. 

ABC em ebulição

Natural do ABC Paulista, a Toró é um dos carros-chefe de uma coletânea que reúne o que a região tem produzido de melhor na música: o Projeto ABC do Som, do Cidadão do Mundo com patrocínio da Petrobrás.

O projeto vai lançar três coletâneas divididas nas categorias Rock ( já lançada) Música Instrumental e MPB & Outros Grooves em CD e distribuir em 18 estados do Brasil. Para quem se interessar, o disco também estará disponível para download gratuito no site www.cidadaodomundo.org.br.

O objetivo é estimular a produção musical do ABC paulista, dando maior projeção aos artistas e músicos locais, potencializando a cadeia produtiva da música independente e mostrando toda a diversidade musical que há por lá.

“Estão nos dando destaque nessa coletânea e ficamos muito gratos, pois é uma ideia bem bacana. O ABC paulista sempre foi uma região muito fértil para a arte em geral, berço de bons músicos e ficamos orgulhosos de participar dessa cena. A gravação da música da coletânea no caso Simetria foi bastante interessante pois nunca tinhamos gravado algo com transmição on-line pela internet e ficamos bastante satisfeitos tanto com a novidade como com o resultado da gravação, que será lançada agora no dia 24/10″, conta Carrera.

Além deles, integram o cast instrumental da coletânea Otis Trio, Lavanderia, Bufalo, Mama Cadela, entre outras, que estão colhendo os bons frutos da música instrumental, que aos poucos, vem conquistando seu espaço entre as vozes. Para Daniel, o gênero vive um bom momento, mas ainda dá para fazer mais.

“Também percebemos esse bom momento da música instrumental, mesmo com espaço ainda bastante restrito e a valorização também. Percebo que o Toró inconscientemente foi assumindo uma postura um tanto quanto vanguardista, mais de qualquer forma sentimos extrema necessidade de expandir o campo de atuação e visibilidade, pois acreditamos nessa maré instrumental e sabemos que a Toró tem plena condição de fazer parte dela”.

Ouça a Toró Instrumental

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Multiplicidade popular brasileira

Outubro 6, 2009 · Deixe um comentário

 trio quintina

Gabriel, Fabiano e Gustavo, o Trio Quintina: um trio que vale por uma orquestra

[por Andréia Martins]

Foi entre uma entrevista e outra que o Trio Quintina cruzou o caminho do Palco Alternativo e, de cara, chamou atenção. O trio, formado em Curitiba, em 1997, por Fabiano Silveira (violão 7 cordas e voz) e os irmãos Gabriel (flauta, sax, clarinete, bateria, percussão e voz) e Gustavo Schwartz (guitarra, cavaquinho, percussão e vocais) faz – e espalha – música popular brasileira com uma qualidade musical bem acima da média.

Quintina é um termo musical usado para designar a divisão de cinco notas em um tempo, algo bem incomum quando o que mais se tem são tradicionais divisões pares na música. Da teoria para a prática, como o nome sugere, o Trio Quintina torna-se 5 em 3: cinco instrumentos – violão, guitarra, flauta, percussão e voz – tocados pelos três músicos curitibanos. Agora, no novo disco, Quintina Orquestra Trio, foram necessários 17 instrumentos.Pura multiplicidade.

Os três são músicos estudados. Pela formação musical, passaram pelo rock, pesquisa e estudo da MPB, em toda a abrangência de ritmos que esse termo engloba, com ênfase no choro e samba, além de muita teoria e técnica instrumental.

O resultado não foi uma música com excesso de técnica e pouca emoção ou sensibilidade. Disso tudo, saiu uma mistura rítmica e de influências somada a instrumentos como flauta, guitarra, pandeiro, violão, cavaquinho que remetem a estilos diferentes e aparecem combinados de forma certeira.

Apesar de serem três, ao ouvir, temos a impressão de que se trata de uma big band. Isso porque eles gostam de experimentar e multiplicar instrumentos, seja entre eles ou com uma galera amiga tocando junto.

“A ideia desde o início era manter a formação de trio para facilitar o trabalho em termos de infraestrurtura, agenda para ensaios, cachê e etc. Porém, o nosso próprio nome já define a característica básica do trio de se multiplicar através de mudanças na instrumentação. Essa multiplicação foi levada ao ponto mais neste último CD, onde algumas faixas necessitariam de 17 músicos para executar o arranjo original”, conta Gabriel em entrevista ao Palco.

Quintina Orquestra Trio

Gabriel se refere ao recém-lançado disco Quintina Orquestra Trio, um trabalho que, mesmo depois de mais de 10 anos na estrada e com cinco discos gravados, traz uma bela novidade: a inclusão da bateria nos arranjos.

“Esse é um disco onde assumimos mais nossa influência roqueira nos riffs da guitarra e na bateria. É a primeira vez que incluímos a bateria nos arranjos, nossos CDs anteriores eram mais intimistas e com formações menores. Também é a primeira vez que utilizamos os sopros em naipe, o que caracteriza este som mais orquestral, como uma pequena big band”, diz Gabriel.

O disco traz também um sucesso do primeiro álbum, gravado há 11 anos: a canção Balão Azul. Segundo Gabriel, o plano era dar uma nova roupagem e deixar a música novamente ao alcance do público, já que o primeiro disco – A Caixinha Mágica – não foi muito divulgado.

Outra regravação, dessa vez uma releitura de Tom Jobim, Água de Beber. A escolha, entre tantas opções e caminhos a seguir, deu-se pela canção estar dentro da proposta do disco.

“O arranjo de Água de Beber já existia e traz na sua essência os elementos que citei acima – riffs de guitarra e bateria com influencia de rock. É um grande transformação para um clássico da bossa nova! Acho que isso é muito importante numa releitura. Na verdade, o disco veio sendo concebido através desses elementos e trouxemos isso também para os arranjos das músicas autorais”.

Outras releituras bem-sucedidas foram gravadas pelo trio em um disco duplo ao vivo, em 2001, chamado Ao Vivo Puro. No final desse mesmo ano, o trio encarou o desafio de sair em uma turnê itinerante mambembe passando por Uruguai, Chile e Argentina. Depois, foi a vez de encarar a Europa e tocar em lugares como Espanha, França, Holanda, Suíça e Itália. Por lá, venderam todos os CDs que levaram, conquistando um novo público.

Quem morar ou estiver por perto de Curitiba pode assistir ao Trio Quintina num domingo qualquer, no Empório São Francisco, onde eles têm lugar cativo e tocam desde 1998, ou seja, desde o início. “No inicio éramos a única banda de música brasileira, hoje em dia já tem várias. É um lugar onde as pessoas vão pra dançar e curtir o show da banda de cada dia. Tem uma boa estrutura de som e luz, o que realmente faz com que a banda esteja em destaque”, lembra Gabriel.

Quem está longe pode baixar algumas canções no site oficial do trio ou ouvir no MySpace. Para quem gosta de longos e suaves solos de guitarra, vai a dica de uma das melhores canções do Trio: Belo Horizonte, do disco Pára-Dias de Chuva, 2004. Eles são de Curitiba mas a música é essa mesmo…

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