RAIO-X: Conheça o som dos Ecos Falsos

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por Natasha Ramos

Depois de dividir o palco com a banda Banze! no Centro Cultural São Paulo, na sexta-feira (9), os caras do Ecos Falsos se jogaram na noite paulistana de sábado (17) e tocaram para público moderninho da Funhouse.

Depois de idas e vindas com baixistas, a banda, que surgiu em 2002 como um quinteto — Gustavo Martins (vocalista e guitarrista), Daniel Akashi (guitarrista), Tomás Martins (baixista), Felipe Daros (guitarrista) e Davi Rodrigues (baterista)—, estava tocando como um quarteto, com três guitarristas que se revezavam na hora de tocar o baixo.

“Depois que meu irmão [Tomás] saiu da banda, nós ainda arranjamos outro baixista, o Thiago, que é o cara que aparece no clipe da música ‘Réveillon’, que concorreu ao VMB 2006, mas também não durou muito e ele saiu no final daquele ano”, conta Gustavo Martins ao Palco Alternativo.

O show na Funhouse foi o primeiro com a nova formação, que conta com Vini F (Orange Disaster) como baixista fixo e Rodrigo BB (um dos caras que ajudou a  fundar o Ecos Falsos),  que voltou a assumir as seis cordas no lugar de Felipe.

Formados no curso de Arquitetura na USP, os caras se conheceram no tempo de faculdade. “Eles tinham uma banda cover, tocavam em festinhas e, em uma ocasião, eles estavam precisando de um guitarrista, pois o Daniel [Akashi] tinha ido trabalhar no Japão. Foi aí que o meu irmão me chamou para tocar com os caras e eu entrei para a banda. Acho que eles ficaram sem graça de me tirarem da banda [risos]”, brincou o vocalista.

Nome e influências

No caso do Ecos Falsos, não foi nada fácil encontrar um nome para a banda. A escolha se deu na base da tentativa e erro. “Tentamos coisas muito ruins como ‘Possível Repertório’ até eu encontrar o termo ‘Ecos Falsos’ numa busca do Google, que é o sinal de atividades alienígenas captados por radares. Aí eu achei legal.”, explica Gustavo.

Já as influências são diversas. Segundo Gustavo, cada integrante segue por vertentes semelhantes, enquanto rock, mas diferentes em suas particularidades. Esse é um dos motivos que torna o som dos caras tão autêntico.

“Eu gosto muito de Frank Zappa, Blur e We Are Scientists. Já o Daniel pende mais para os Beatles, também gosta de uma banda japonesa que canta em inglês chamada Judy and Mary. O Felipe está numa onda de Los Hermanos, Cartola, Caetano Veloso e o Davi ouve umas bandas mais obscuras, como Queens of the Stone Age, gosta também de PJ Harvey”, conta.

Músicas

Em setembro de 2007, os EF lançaram o álbum début Descartável Longa Vida, pelo selo independente Monstro Discos, que cuidou da distribuição e da prensagem do disco. O disco vem recheado de músicas como “Fim do Milênio”, “Sentimental”, “A Última Palavra em Fashion”, “Réveillon”, “A Revolta da Musa” (com participação de Tom Zé) e “Dois a Zero” (com Fernanda Takai).

Antes do disco de estreia, a banda já havia lançado A Última Palavra em Fashion, EP de 2005, disponível no site da banda para download.

E como toda banda independente que se preze põe a mão na massa e corre atrás dos próprios assuntos, os EF são total adeptos do “Faça você mesmo”.

“Nós vendemos a maioria das coisas, marcamos os shows, é tudo ‘home made’”, comenta Gustavo. “Sou eu mesmo que marco os shows, o Daniel faz as camisetas e a capa dos discos… Somos uma micro empresa de nós mesmos, não temos produtor. Somos independentes total e, ao mesmo tempo, todo mundo tem empregos fixos, o que dificulta um pouco.”

A Sereia

Enquanto algumas músicas dos Ecos Falsos têm um tom mais crítico, como “Fim do Milênio” e “A Última Palavra em Fashion”, há outras que são totalmente nonsense. É o caso de “A Sereia”, que ainda não foi lançada em nenhum disco.

“Em 1997, quando eu tinha 14 anos e o Felipe, 13, estávamos na praia de Guarujá em um dia que tinha muita mulher feia. Lembro que eu estava começando a aprender a tocar guitarra, já tinha aquele riffzinho e criamos a letra da ‘Sereia’”, lembra Gustavo.

“A produção do Ecos Falsos é muito isso: a gente faz música de acordo com o nosso estado de espírito. Então umas são mais sérias, outras são mais bobagem. Gostamos de ser meio imprevisíveis, como as pessoas são imprevisíveis”, acrescenta. “Era para ela entrar nesse disco, mas o pessoal achou melhor não, porque ela ia destoar muito das outras. Mas no próximo vou bater o pé para que ela faça parte”.

Jovem Escritor

O principal compositor do Ecos Falsos, Gustavo Martins, antes de ficar conhecido pela banda, já havia chamado a atenção da mídia por outro motivo.

“Quando eu tinha nove anos, publiquei um livro infantil e fui citado no Guiness Book da época como o mais jovem escritor a publicar um livro. Aí, apareci no programa da Xuxa e tudo o mais”, conta Gustavo. “Eu recuperei esses vídeos, foram digitalizados e eu pretendo disponibilizar no site da banda”, acrescenta.

O livro ao qual o vocalista se refere chama-se “Fábulas para o Ano 2000” (Rodrigo Lacerda e Gustavo Martins; ilustrações de Paulo Batista; 80 págs.; Lemos Editorial), em que foram adaptadas histórias tradicionais, como “A Princesa e o Sapo” e “Os Três Porquinhos”, aos tempos modernos.

Onde encontrar

Os trabalhos dos Ecos Falsos podem ser comprados em vários lugares como a Livraria Cultura e a Saraiva. No site da distribuidora Tratore, é possível encontrar uma lista das lojas que vendem o disco.

Os caras ainda vendem o disco pelo site da banda e disponibilizaram faixas no Tramavirtual e MySpace.

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