Hélio Flanders, do Vanguart, e Igor Filus, do Charme Chulo, falam sobre Bob Dylan

[Natasha Ramos]

Capa do disco "Together Through Life"

Capa do disco "Together Through Life"

Bob Dylan lança  nesta terça  (28) seu 33º disco de estúdio, Together Through Life (Columbia Records). Com um título no mínimo romântico combinado à foto da capa de dois jovens se pegando no banco de um carro, o álbum revisita a atmosfera do verão de 1959 e a sonoridade daquela época.

Com meio século de existência artística, Bob Dylan deixou sua marca no universo musical e na cultura pop. Sem dúvida, a lenda do folk se tornou referência para muitos músicos contemporâneos que resolveram enveredar pelo mesmo gênero do músico.

É o caso de Hélio Flanders, do Vanguart, que em entrevista ao Palco Alternativo revelou ter conhecido Dylan aos 14 anos.

“Uma ex-namorada foi viajar e me deixou um K7 onde tinha uma versão

Hélio Flanders, do Vanguart

Hélio Flanders, do Vanguart

arrebatadora de ‘You’re a Big Girl Now’, do disco Blood On The Tracks [1975]. Fiquei voltando e escutando compulsivamente, aí resolvi ouvir o disco todo e tudo mudou para mim na música. A forma de se pensar em escrever as letras, de como se pronunciar as sílabas… Dylan é certamente minha maior influência estrangeira”.

Outra banda que parece ter bebido da fonte Dylan é a curitibana Charme Chulo, que adequou o folk gringo às nossas raízes brasileiras.

“Nós do Charme Chulo costumamos levantar a seguinte bandeira: ‘O folk no Brasil é música caipira’, mas Bob Dylan é o que? Rock e Folclore (ainda que norte americano) e dos ‘bão’!”, explica o vocalista Igor Filus.

Igor também comenta como foi seu primeiro contato com a musicalidade de Dylan. “O primeiro disco que ouvi foi Blonde on Blonde. Vi a capa do disco em um clipe da banda Belle and Sebastian, o que me fez ir atrás de Bob Dylan. Ou seja, cheguei até ele pelas bandas que ele influenciou, algo que acabou acontecendo em relação as minhas influências musicais dele no trabalho do Charme Chulo”.

Como todo músico itinerante, Bob se permitiu passar por mudanças em seu som: do folk de protesto, aderiu aos instrumentos elétricos, assumindo uma fase mais blues/rock, passou pelo country rock e até pelo gospel. Sobre suas diferentes fases, tanto Igor quanto Hélio expressam quais são suas preferidas.

“Gosto de todas as fases. Comecei pela fase folk e gosto muito dos primeiros álbuns, porém minha fase favorita é do Bringing It All Back Home até o Blonde on Blode”, comenta Hélio, do Vanguart.

Igor Filus, do Charme Chulo

Igor Filus, do Charme Chulo

“Citaria como o melhor disco, o seu début [Bob Dylan] de 1962, o mais roots e visceral de todos, uma revolução total. E como dizia Renato Russo, todos os outros até 1979, Slow Train, por aí…”, conta Igor, do Charme Chulo.

Apesar de existirem diversas bandas novas que tocam o que atualmente é chamado de folk, muita coisa aconteceu desde a década de 60, que transformou o gênero tocado por Dylan em uma variação do estilo.

“Uma diferença, ao meu ver, é o caráter politizado, a principal marca do folk dos anos 60, que se perdeu naturalmente pelas condições atuais da cultura ocidental. Somos de um outro modo, temos que decifrar os dilemas do nosso tempo, temos que representar nossos dias. Porém, muitas vezes, as bandas não conseguem alcançar isso e ficam apenas nos estereótipos musicais do estilo, outra infeliz tendência atual”, declara Igor.

Sobre essa leva de bandas novas que fazem um som com o pé no folk, Hélio indica outras boas: “Tem o Bad Folks, de Curitiba, tem a maravilhosa Mallu Magalhães e a Stephanie Toth de São Paulo”.

Enfim, Bob Dylan se tornou um ícone por ter influenciado tanto as gerações que vieram depois dele, quanto seus contemporâneos, como John Lennon.

“Dylan é tão único que seu legado seja talvez simplesmente o de ter existido um Bob Dylan um dia, como John Lennon ou Brian Wilson. Geniais em suas particularidades”, conclui Hélio.

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