Conheça Pedro Bromfman, o jazzman por trás das trilhas de Tropa de Elite e Mataram a irmã Dorothy

(por Andréia Martins) – Pedro Bromfman é um carioca que adora música e resolveu correr atrás da carreira nos EUA. Para quem não se lembra de tê-lo visto cantar ou algo parecido, o motivo é simples: o músico trabalha com trilha sonora, além de cultivar uma antiga paixão: o jazz.

O mais conhecido trabalho deste trilheiro no Brasil talvez seja a trilha sonora do filme Tropa de Elite, que além de jargões – ‘fanfarrão’ e ‘pede pra sair’- recuperou um antigo hit do grupo Tihuana, que leva o nome do filme, entre novas composições.

pedro“Tive a sorte de estar envolvido desde a fase do roteiro, o que me possibilitou conhecer intimamente os personagens e entender como a musica deveria contribuir emocionalmente para o filme”, diz ele do trabalho em Tropa… . Um compositor de trilhas trabalha de duas formas: seja na escolha de músicas já gravadas para compor uma trilha ou compondo as músicas.

“Ajudamos a ‘construir’ o mundo emocional através da criação de temas musicais”, diz ele. Entre uma viagem e outra – ele reside em Los Angeles e passa a maior parte do tempo por lá – Pedro bateu um papo com a gente e falou do trabalho, do mercado – seu último trabalho a passar por aqui foi a trilha do documentário Mataram a Irmã Dorohty – de “trilheiros”, formação e novos projetos.

Gostaria que você falasse sobre o trabalho no filme Tropa de Elite.
Pedro Bromfman – Compus e produzi em torno de 30 faixas incidentais que dividem com as canções escolhidas os momentos musicais do filme. Também fui responsável pela produção e regravação de algumas canções como Rap das Armas e a faixa Nossa Bandeira, ambas gravadas com os MCs Leonardo e Júnior e com a bateria da Escola de Samba da Rocinha. Toquei diversos instrumentos durante as gravações da trilha, fiz a programação sonora e criei sons e contei com a participação de grandes músicos como Robertinho Silva, Ney Conceicao e Cassio Duarte.

Haverá uma edição especial da trilha nos EUA, parece que ela vem com algumas novidades, certo?
PB – O filme que será lançado nos EUA será exatamente igual ao que saiu no Brasil. A diferença é que o CD da trilha que lançamos aqui fora contará com parte da trilha incidental, o que não saiu no Brasil e alguns diálogos mixados entre as músicas.

Como é esse mercado – o de trilhas – aí nos Estados Unidos, para os brasileiros?
PB – O mercado de trilhas em Hollywood é completamente globalizado. Compositores do mundo inteiro que querem trabalhar com música para cinema tentam a sorte por aqui. Esse é sem dúvida um mercado extremamente competitivo porem, apesar de bastante saturado, existe trabalho para compositores nas mais diversas áreas: videogames, web sites, shows de TV, etc… Eu trabalhei durante anos compondo musica para trailers e comerciais antes de começar a me dedicar exclusivamente ao cinema.

Você saberia dizer quais músicos brasileiros se destacam por aí, nessa área?
PB – Alguns estão construindo carreiras bem sucedidas por aqui como, por exemplo, o Antonio Pinto, o Heitor Pereira e o Marcelo Zarvos.

Você começou como guitarrista de Jazz no Rio, certo? Quando você decidiu se tornar produtor de trilhas e tentar a carreira nos EUA?
PB – Me mudei para Los Angeles em dezembro de 2001. Estava frustrado com o cenário da música instrumental no Brasil e queria passar um tempo por aqui tocando e aprendendo mais sobre produção. Não planejei entrar para o mercado de trilhas, apesar de ser apaixonado por cinema. Quando cheguei a LA conheci muita gente do meio e quando percebi, estava compondo trilhas para curtas e documentários. Resolvi então me especializar em composição de trilhas com um curso de pós na UCLA.

Formam-se melhor os músicos nos EUA?
PB – Fiz faculdade em Boston, na Berklee college of Music. Foi uma experiência extraordinária. A infra-estrutura de uma faculdade de música como a Berklee, pelo menos em 1994 quando cheguei a Boston, era inimaginável no Brasil. A possibilidade de tocar, gravar e estudar com excelentes músicos do mundo inteiro foi maravilhosa. Acho que no Brasil temos músicos brilhantes e extremamente talentosos, porém, muitas vezes a falta de oportunidades acaba criando insatisfação e uma frustração geral que dificulta a constante busca da superação.

Fale um pouco sobre o trabalho no filme They Killed sister Dorothy. Que tipo de músicas você preparou para essa história?
PB – They Killed Sister Dorothy é uma produção inteiramente americana, porém sobre um caso que ocorreu no Brasil, a morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, no Pará em 2005. O filme é narrado pelo ator Martin Sheen, dirigido pelo talentoso Daniel Junge e produzido por Nigel Noble, ganhador de um Oscar de melhor documentário nos anos 80. Compus em torno de uma hora de música para o filme, que conta exclusivamente com músicas minhas. O filme foi premiado no festival de South by Southwest com o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio Popular.

Você continua se apresentando ao vivo, está preparando algum trabalho novo de inéditas?
PB – Não tenho tocado ao vivo. Tenho vontade de montar um grupo no futuro e voltar a tocar jazz, uma das minhas grandes paixões. Porém, no momento estou muito feliz em poder trabalhar compondo trilhas. Sempre fui um músico muito eclético, escutava e tocava de tudo desde a infância, e essa diversidade esta presente todos os dias em meu trabalho. Devo fazer mais um filme com o José Padilha, diretor do Tropa, dessa vez um documentário sobre os índios Yanomamis. Além disso existe a possibilidade de eu compor a trilha para um novo filme brasileiro e outro americano, ainda estamos em fase de negociação.

Se tivesse que escolher, qual seria o seu Top 5 de filmes que tem um casamento, digamos perfeito, entre trama e trilha, e por que?
PB – Sou um grande fã do Ennio Morricone e hoje tenho o orgulho de dizer que temos o mesmo agente em Hollywood, surreal, não?!?! Suas trilhas para The Good, The Bad and The Ugly, Cinema Paradiso e A Missão são perfeitas. Também adoro o trabalho do John Barry, Out of África e Somewhere in Time são trilhas maravilhosas. Como comentei antes, o compositor de trilhas é responsável por encontrar o tom do filme e compor temas que nos façam sentir na pele o que vemos na tela. Nos exemplos citados acima, esses gênios não só o fizeram, como também criaram melodias extraordinárias que funcionam maravilhosamente bem, mesmo separadas do filme.

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Uma resposta para “Conheça Pedro Bromfman, o jazzman por trás das trilhas de Tropa de Elite e Mataram a irmã Dorothy

  1. Adorei saber muito mais sobre o trabalho de trilhas.
    beijos
    Debora

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