Papo rápido com as meninas do Choro das Três

Elisa, Corina e Lia
Elisa, Corina e Lia

[Por Natasha Ramos]

Com apenas 21, 18 e 16 anos, respectivamente, as irmãs Corina (flauta), Lia (violão de sete cordas) e Elisa (bandolim), ao lado do pai Eduardo (pandeiro), formam o conjunto de música instrumental Choro das Três.

Vindas de Porto Feliz (interior de São Paulo), as meninas chamam a atenção do público por onde passam e vêm difundindo sua música de raiz, com ênfase no choro da velha guarda, há cinco anos.

O Choro das Três leva na bagagem o álbum de estreia Meu Brasil Brasileiro (lançado em 2008, pela Som Livre), que mescla faixas autorais com músicas de grandes nomes do gênero, como Ernesto Nazareth (“Brejeiro”), Zequinha de Abreu (“Tico Tico no Fubá”), Pixinguinha  (“Carinhoso”) e Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”).

Em entrevista ao Palco Alternativo, as meninas contaram de onde surgiu a paixão pela música, como se deu a escolha do choro e quais os artistas que elas indicam. Confira!

Como é a cena musical de Porto Feliz, em relação ao chorinho?

Corina: É inexistente. Somos o único grupo de choro da cidade. Em Porto Feliz, tinha um coral —a partir desse coral que eu comecei a tocar—, ministrado por um professor voluntário, Marco Leite, na minha escola, e tem a Escola Municipal de Música, que foi onde começamos a estudar música. Mas dizer que lá tem shows, teatro, não tem. É uma cidade muito pequena.

De onde surgiu o gosto pela música?

Corina: Meu pai é apaixonado por música, passa o dia inteiro com o rádio ligado. A gente sempre teve muita música à disposição, CDs de todos os tipos, desde jazz à rock, bossa nova, música clássica… Ele sempre gostou muito e acabou passando essa paixão pela música para a gente.

Por que vocês escolheram o chorinho?

Corina: Na verdade, a gente não sabe muito bem por quê. Eu era pequena, tinha 8 anos, e no meio desse monte de CDs, meu pai tinha só um de choro, do Altamiro Carrilho. Eu achei esse disco e só queria ouvi-lo. Fiquei encantada. Aí, a gente começou a vir para São Paulo, nas rodas de choro. E eu comecei a tocar flauta por causa desse disco do Altamiro Carrilho. Foi um gênero que me encantou.

A gente sempre diz como é engraçado o fato de uma criança de 8 anos ter gostado de um gênero que não é comum. Costumamos dizer que é só você dar oportunidade para as pessoas conhecerem, ouvirem, que sempre vai ter gente interessada. Ninguém pode gostar do que não conhece.

Como as coisas começaram a acontecer para vocês, quando começaram a fazer mais shows?

Corina: Há uns quatro ou cinco anos, começamos a receber convite de TV de gente querendo assistir aos nossos shows, de gente querendo contratar… Em 2008, a gente lançou o CD pela Som Livre e, graças a Deus, estamos fazendo bastante apresentações.

Em outra ocasião, a Elisa havia dito que fazer música é fácil, o difícil é dar um nome às composições. É verdade isso? Vocês compõem muito?

Elisa: Mais ou menos. Se você tem um tema e faz a música com esse tema, é fácil escolher um nome. É mais difícil quando você cria alguma música sem um motivo exato. Aí, às vezes, eu não sei qual nome dar.

Corina: Às vezes não. Tem umas dez músicas sem nome lá em casa.

Elisa: Eu fico com medo de colocar um nome e depois me arrepender.

Vocês começaram com outro nome, Balaio de Gato. O que as levou a mudá-lo?

Corina: Descobrimos que já havia uma banda de forró do Nordeste com esse nome registrado.

O que na opinião de vocês destaca o choro dos demais estilos musicais?

Corina: O choro é uma música difícil tecnicamente. É a música clássica brasileira, mas é mais livre, espontânea e tem elementos da música popular.

Dessa nova leva de artistas do chorinho quais vocês indicam?

Corina: O Yamandu Costa, Luciana Rabelo, Zé barbeiro, tem vários.

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