Toró Instrumental: uma chuvarada sonora no underground paulistano

 toro banda

[por Andréia Martins]

Como o próprio nome sugere, o que você vai ouvir – e ver – com o Toró Instrumental é uma chuvarada sonora, destilada por onde a banda perambula na noite paulistana, em casas como o Inferno, Bar B, Sarajevo, Syndikat entre outros.

Formada no ABC Paulista, a banda traz uma diversidade musical facilmente explicada pela variedade de influências e experiências acumuladas por cada um dos quatro integrantes: Daniel Carrera (trombone), Felipe Maia (bateria, e que tabém toca no Júpiter Maçã e com Edgar Scandurra), Ricardo Mingard (percussão), Caio Duarte (baixista) e Marcelo Laguna (teclado).

E é com essa formação baixo, teclado, bateria e trombone – não falta uma guitarra por aí? eles garantem que nem sentem falta! – que essa banda do ABC vem conquistando cada vez mais ouvintes dispostos a ouvir algo novo, criativo e que supere expectativas.

O resultado é um som que pode soar diferente a cada apresentação, reunindo elementos da música brasileira a outras produzidas em outros cantos, um jazz-tropical onde eles exploram elementos do samba, baião afro-beat, funk, jazz e ritmos folclóricos brasileiros.

“Ser uma banda original de som particular hoje em dia tem contado muito. Tocamos o que criamos, o que gostamos e o que queremos. Talvez isso seja um grande aliado. Ainda mais quando a cena a cada dia fica mais competitiva e mais restrita é preciso tocar o que realmente ‘sai de dentro’ naturalmente”, comenta Carrera sobre a boa fama da banda na capital paulista.

O gosto pelo improviso, vindo do jazz, também contribui para essa pegada libertária da Toró, num cenário onde cada vez mais bandas investem num tipo de recriação do jazz. “O jazz é um estilo de música das mais libertárias, o que dá inumeras possibilidades de complementações e experimentações. Não acreditamos que seja a bola da vez, pois o jazz sempre sobrevive num pequeno cenário, às vezes até muito elitizado, mais sobrevive pois sua riqueza é incontestável e seus caminhos são infinitos”, diz Carrera ao Palco Alternativo.

Primeiro disco à caminho

Criada em 2007, a Toró está gravando o seu primeiro álbum e, para isso, escolheu o formato que mais valoriza a banda: ao vivo. “Esse primeiro álbum será basicamente o que tocamos nas noites de 2008/2009 nos clubes de Sampa. Algumas delas já tocávamos desde o ínicio do projeto e outros temas como Perdido e a dançante Eletron entraram para o repertório logo em seguida. Nessa gravação não escolhemos um estúdio de gravação apenas e mesclamos com algumas gravações ao vivo, pois acreditamos que ao vivo a Toró tem resultado bem satisfatório e não gostaríamos de perder essa pegada do show”, diz o trombonista.

A proposta diferenciada também mostra uma visão de que a música pode ser algo além de um mero produto cultural, servindo também de estímulo público e social.

“A própria valorização da cultura brasileira é importante e precisa ser valorizada. O que seria de todos sem nossas raízes por mais que elas estejam sendo direta ou indiretamente abafadas por uma midia que a cada dia globaliza mais e mais? Muitas pessoas que apreciam a boa música brasileira, acreditam que ela se extinguiu no inicio da década de 80 buscamos resgatá-la naturalmente e complementá-la com outras influências de forma instrumental”. 

ABC em ebulição

Natural do ABC Paulista, a Toró é um dos carros-chefe de uma coletânea que reúne o que a região tem produzido de melhor na música: o Projeto ABC do Som, do Cidadão do Mundo com patrocínio da Petrobrás.

O projeto vai lançar três coletâneas divididas nas categorias Rock ( já lançada) Música Instrumental e MPB & Outros Grooves em CD e distribuir em 18 estados do Brasil. Para quem se interessar, o disco também estará disponível para download gratuito no site www.cidadaodomundo.org.br.

O objetivo é estimular a produção musical do ABC paulista, dando maior projeção aos artistas e músicos locais, potencializando a cadeia produtiva da música independente e mostrando toda a diversidade musical que há por lá.

“Estão nos dando destaque nessa coletânea e ficamos muito gratos, pois é uma ideia bem bacana. O ABC paulista sempre foi uma região muito fértil para a arte em geral, berço de bons músicos e ficamos orgulhosos de participar dessa cena. A gravação da música da coletânea no caso Simetria foi bastante interessante pois nunca tinhamos gravado algo com transmição on-line pela internet e ficamos bastante satisfeitos tanto com a novidade como com o resultado da gravação, que será lançada agora no dia 24/10″, conta Carrera.

Além deles, integram o cast instrumental da coletânea Otis Trio, Lavanderia, Bufalo, Mama Cadela, entre outras, que estão colhendo os bons frutos da música instrumental, que aos poucos, vem conquistando seu espaço entre as vozes. Para Daniel, o gênero vive um bom momento, mas ainda dá para fazer mais.

“Também percebemos esse bom momento da música instrumental, mesmo com espaço ainda bastante restrito e a valorização também. Percebo que o Toró inconscientemente foi assumindo uma postura um tanto quanto vanguardista, mais de qualquer forma sentimos extrema necessidade de expandir o campo de atuação e visibilidade, pois acreditamos nessa maré instrumental e sabemos que a Toró tem plena condição de fazer parte dela”.

Ouça a Toró Instrumental

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