Música para se ver: Mark Seliger, de fotógrafo a frontman country

[por Andréia Martins]

red hotEm 1992, os meninos do Red Hot Chili Peppers foram capa da revista Rolling Stone em trajes… ou melhor, sem traje algum. Irreverentes, foram fotografados nus, no auge do sucesso do disco Blood Sugar Sex Magik. O autor da foto foi o texano Mark Seliger, mais um fotógrafo que tem seu nome na história do rock e que, de tanto registrar figuras e momentos marcantes da música, acabou rendendo-se a ela. Mas vamos ao início, onde tudo começou.

Seliger pegou gosto pelas imagens ainda adolescente, em Houston. Na faculdade, começou a trabalhar como assistente de outros fotógrafos. Cansado da mesmice do trabalho, decidiu encarar Nova York, a cidade onde, certamente, muito mais estaria acontecendo.  “Decidi que, se queria mesmo saber como as pessoas trabalhavam e entender o que era o mundo da fotografia editorial, tinha de me mudar para Nova York”, diz.

A sorte parece ter decidido acompanhá-lo. Ao chegar em Manhattan, logo arrumou um emprego de assistente de fotografia, no qual ficou por dois anos. Depois, trabalhou na revista Manhattan Inc., onde conseguiu visibilidade para um voo maior: a revista Rolling Stone.

Foram mais de 90 capas em 10 anos na revista, ícone da cultura pop dos anos 90. Tudo e todos que foram notícia no mundo das artes passaram por ela, e grande parte disso foi registrada pelas lentes de Seliger.

De lá pra cá, já são 23 anos de carreira e uma extensa lista de artistas fotografados como Metallica, White Stripes, Paul McCartney, Chuck Berry, Ray Charles, Diana Krall, Snoop Dog, Gilberto Gil, Ozzy Osbourne, Bono, Kurt Cobain, Courtney Love, B.B. King, Bob Dylan, Eric Clapton, Bruce Springsteen, Sheryl Crown, Eddie Vedder, Tom Waits, entre tantos outros.

tom waits

O "balé" de Tom Waits

Com um vasto material, contando um pouco da história de gêneros como o hip hop, o rock, blues e country, Seliger reuniu todas as suas fotos no livro, que ele veio lançar no Brasil em agosto desse ano: Mark Seliger – The Music Book. “O livro é uma boa biblioteca do meu trabalho. Mergulhei nos arquivos de anos de música que retratei e selecionei aquelas fotos que tinham um tom histórico e icônico, tendo como referência todas as sessões que fiz”, afirma. “O processo me trouxe grandes memórias e serviu como uma redescoberta da fotografia para mim”, comenta ele sobre o livro.

Entre suas fotos históricas estão a de Johnny Cash, com o violão nas costas, e o close de Kurt Cobain, tirado poucas semanas antes da morte do líder do Nirvana, em abril de 1994. “É um peso que todo mundo carrega nas costas. Como alguém podia estar tão triste?”, diz ele sobre o momento pelo qual passava Cobain.

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Cash, clicado em 1992

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Retrato de Kurt Cobain

“Tento conceitualizar as fotos que vou fazer. Eu escolho um estilista, um cabelereiro e maquiador, encontro um local e pesquiso sobre o artista. Tenho muitas ideias. Umas simples outras bem complicadas”, diz o fotógrafo sobre como pensa e executa seus trabalhos.

“Eu tento conhecer um pouco sobre a pessoa antes de ir à sessão de fotos. Eu também tento observar o que ela faz quando está parada na minha frente. Quando essas pessoas entram com amigos no estúdio e ainda estão conversando, eu posso pegar um gesto, um movimento ou algo qe eles estejam fazendo que me levam à fotografia”.

metalica

A banda Metallica

Rusty Truck: Seliger assume o microfone

Hoje, Seliger assina fotos para as revistas Vanity Fair, GQ e Vogue italiana. Aos 50 anos, ainda vive e trabalha em Manhattan, no bairro do West Village e, há poucos anos, resolveu explorar um outro lado seu: o de cantor e compositor.

banda rusty

Seliger, de azul, com sua banda

Seliger sempre tocou violão e gostou de cantar. Lembra que no seu bar mitzvah, ganhou uma guitarra e desde então passou a tocar, começando com as músicas e Cat Stevens. Mais velho, inspirações não faltaram para que o fotógrafo decidisse entrar na música, saindo de trás da câmera, para ser o frontman da banda Rusty Truck.

Segundo ele, a música como atividade profissional aconteceu meio sem querer. A brincadeira deu certo. Começou a ser chamado para programas, turnês, festivais, e a banda já tem dois discos lançados: Broken Promises, de 2003, que ganhou elogios dos críticos do seu antigo local de trabalho, a Rolling Stone, e Luck’s Changing Lanes, de 2008.

O CD tem colaborações de nomes como Willie Nelson, Lenny Kravitz, Sheryl Crow e Jakob Dylan. As canções são todas de autoria de Seliger, a maioria inspirada em sua infância e adolescência, com uma pegada mais country do que rock.

Com experiência na produção de videoclipes – ele já produziu vídeos dos amigos Lenny Kravitz, para quem também fotografou um álbum exclusivo, Elvis Costello, entre outros – ele aproveitou para fazer alguns vídeos da sua própria banda. Um dos destaques é o vídeo da música So Long, Farewell, que reúne vídeos caseiros de Seliger ainda criança.

Mesmo depois de tanto tempo de carreira e uma nova empreitada pela frente, Seliger ainda diz ter uma lista de fotos para fazer, como Prince, Madonna e Michael Jackson, pessoas que ele lamenta ainda não ter clicado. E é bom ele correr contra o tempo, pois as oportunidades podem acabar quando menos se espera. Que o diga o rei do pop…

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