Disco clássico: do samba a bossa, a diversidade da música popular brasileira em Acabou Chorare

A 'comunidade' Novos Baianos na capa do disco Acabou Chorare, de 1972

[por Andréia Martins]

Nesse carnaval, a trilha sonora aqui em casa foi Acabou Chorare, dos Novos Baianos. Música brasileira da mais pura e fina flor. Samba, MPB, bossa, baião, forró, rock, está tudo ali, nesse que foi o segundo disco dos Novos Baianos.

Lançado em 1972, é um dos clássicos da música brasileira. Não à toa, foi eleito pela Rolling Stone brasileira como o melhor disco nacional de todos os tempos, de uma lista de 100.

O primeiro verso do disco, na música Brasil Pandeiro – samba que Assis Valente compôs em 1940 para Carmem Miranda – já diz a que veio: “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor…”.

Nos lados A e B, o disco traz canções que se tornaram clássicas como Preta Pretinha, Mistérios do Planeta, A Menina Dança e a que dá título ao disco, Acabou Chorare, todas essas parcerias de Moraes Moreira e Luiz Galvão. Essa última, uma clara referência a João Gilberto, que havia passado um tempo com o grupo, ensinando alguns truques da bossa nova.

Também estão no álbum Brasil Pandeiro, Tinindo Trincando, Swing de Campo Grande, Besta é Tu e Um Bilhete Pra Didi.

O grupo tinha como principais integrantes Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Baby Consuelo, além de Jorginho, Dadi e Baixinho. Sem contar os eventuais colaboradores da ‘comunidade’ Novos Baianos.

Naquele tempo, eles viviam como uma comunidade em Jacarepaguá, eram os nossos hippies da MPB. O ar de liberdade, fraternidade, otimismo e alegria, parte da proposta de um novo modelo de vida do grupo,  foi transportado para o disco, um clima de abra a janela e venha ver o sol nascer.

Com supervisão geral de João Araújo, coordenação musical de Eustáquio Sena, o LP vinha numa embalagem de luxo, com capa dupla e um texto explicativo de Galvão contando um pouco a história das músicas e dos integrantes do grupo.

O que faz desse trabalho um disco clássico, além da forma – uma vida alternativa com a liberdade sendo palavra de ordem – e do período em que foi concebido – o Brasil ainda vivia os anos de chumbo –  é a rica musicalidade do álbum, que reúne diversos estilos da música popular brasileira.

Especialmente o violão de Moraes duelando amigavelmente com os solos de Pepeu – é ali, em solos como os de Mistérios do Planeta, A Menina Dança e em Tinindo Trincando, que Pepeu cravou seu nome na lista dos melhores guitarristas brasileiros e mostrou sua capacidade como arranjador. Com ele, até o baião ficou rock.

O disco colocou os Novos Baianos na lista dos grandes nomes da música brasileira. A banda não chegaria até os anos 80, mas fez história até no carnaval baiano: o sucesso foi tanto que o grupo saiu em um trio elétrico e Moraes foi o primeiro a cantar em um trio elétrico, pois antes as apresentações eram apenas intrumentais.

Abaixo, um vídeo de Mistério do Planeta, tirado do filme “Novos Baianos Futebol Clube”, de Solano Ribeiro, originalmente gravado em 1973 no sítio Cantinho do Vovô, em Jacarepaguá. Paulinho Boca rouba a cena, no olhar e na voz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s