Muito além do folk: os doces versos de Juliana R.

[por Andréia Martins]

Juliana R. será colocada, por muitos, na lista de novo artistas folk, mas ela vai além disso. De Sorocaba, interior paulista, direto para a capital, aos 20 e poucos anos ela vem conquistando, devagar, seu espaço na cena alternativa com doces letras autorais, simples, misturando idiomas e brincando com o jeito de cantar. Personalidade na voz, talvez seja essa a grande diferença de Juliana entre tantas novidades.

Um aperitivo do som de Juliana R. (abreviação de Rodrigues, para os mais curiosos) está disponível no site oficial da cantora (http://www.julianar.com). Nas 4 faixas, que integram o primeiro EP dela, lançado em 2008, podemos ver que as influências vão além do folk, com cada uma ganhando um clima bem diferente da outra. Um mix de sensações, seja na animada El Hueco, a romântica Since I’Ve Meet You, e a balada matadora If You Could See Me Now.

E enquanto ela brinca, tentando fugir das classificações musicais, se definindo ora como romântica, ora como experimental/latino (vide o My Space dela: http://www.myspace.com/juliana.r), podemos dizer que, apesar da brincadeira, pitadas de todos esses gêneros estão nas músicas.

O jornal O Globo colocou o nome dela na lista dos 10 artistas que prometem bombar em 2010. A previsão tem tudo pra se concretizar. Confira abaixo a entrevista que Juliana concedeu ao Palco Alternativo.

Você se lembra de quando escreveu ou rabiscou sua primeira música?
Juliana R. – Lembro sim. Eu tinha uns nove anos e era fã das Spice Girls. Meu pai deve ter guardado, haha.

Como você descobriu que música era o que você queria? Você era do tipo que tinha banda no colégio?
Juliana R. -Não lembro exatamente, mas quando era bem criança gostava de ficar cantarolando. Certa vez eu cantei num karaokê e gostei da experiência, acho que foi bem por aí. Depois com uns doze anos eu conheci as bandas independentes e me empolguei pra começar a tocar. Sempre gostei de compor, era uma forma de fugir daquela coisa chata de ter que ir pra escola, pois lá não aprendia coisas que queria.

Você do interior de Sampa, o que a fez vir pra cá? E, tudo está saindo como – ou quase como – você imaginou?
Juliana R. – Não tinha afinidade musical com muita gente na cidade em que morava, então decidi me mudar pra encontrar pessoas que compartilhassem das minhas ideias. Fora isso, em São Paulo tem muito lugar pra tocar, o que não acontece no interior, infelizmente. Por aqui tá tudo correndo bem, mas é difícil e eu ainda não sei exatamente o caminho pra se viver de música, mas acho que as coisas vão se acertar em breve pra todos que estão nesse meio. Estou otimista.

Você canta em português, inglês, espanhol, participou do “les provocateurs”, homenagem a artistas franceses… Como é essa brincadeira de idiomas, há coisas que você prefere dizer em uma língua do que eu em outra?
Juliana R. -Fiz músicas em vários idiomas mais por experimento mesmo, queria ver como ficariam. O legal é que a forma de colocar as palavras e a sonoridade muda conforme o idioma escolhido. Não dá pra cantar uma música em português se ela soa como uma música em inglês e por aí vai. Gosto também da parte da tradução, mas o próximo disco provavelmente será todo em português.

Aliás, como foi participar do Les Provocateurs? Qual a influência do Serge Gainsbourg na sua música?
Juliana R. -Foi a coisa mais legal que eu fiz! Quando vi a exposição e percebi que iria fazer parte daquilo, fiquei muito feliz. Nunca achei que um dia poderia cantar músicas que foram interpretadas pela France Gall e Françoise Hardy, foi muito prazeroso. Depois do Les Provocateurs, o Gainsbourg sem dúvida virou uma grande influência pra mim, pois tive um contato maior com suas músicas. Ele era inquieto e um grande compositor.

Uma coisa que me chamou atenção foi a sua voz, o jeito diferente com que você intepreta cada uma delas. Ora de um jeito meio debochado, em El Hueco, outra de um jeito mais denso e arrastado em Since I’ve Met You, o modo quase soletrado de Longe, enfim, a sonoridade das palavras é também algo forte na sua música.
Juliana R. -Sim, a interpretação sempre muda de acordo com a música, não dá pra cantar todas como se eu falasse da mesma coisa, por mais que os temas sejam parecidos. Antes eu não prestava muita atenção em como as palavras eram colocadas, cantava conforme eu ouvia a melodia na minha cabeça, agora tomo mais cuidado porque a voz não deixa de ser um instrumento também.

Queria que você falasse um pouco da canção El Hueco. Ela entrou nas coletâneas da revista Soma e do Grito e é uma das que mais faz sucesso no seu MySpace. Em que momento você a compôs e por que em espanhol?
Juliana R. -Certa vez um amigo me mandou um áudio que falava sobre o Cortázar e no final tinha uma pequena entrevista. Pensei que ficaria bom numa música, peguei o violão e comecei a cantar em cima do que tinha tocado. Na época eu tava lendo um livro que chamava “El Túnel”. Daí vem o nome.

Você escalou o Fábio, tecladista do Mamma Cadela, para produzir suas músicas. A banda tem um estilo bem versátil, reunindo influências que vão desde o rock psicodélico dos anos 70, ao jazz, ao trip hop. O que ele trouxe para a sua música e como rolou essa parceria?
Juliana R. -Muita gente passa em casa e acaba esquecendo coisas, foi aí que encontrei um cd do Mamma. Gostei muito da sonoridade e acabei entrando em contato com a banda. Acho que o Fábio deu uma visão de ouvinte, o que foi muito importante na gravação das músicas.

Você está finalizando as músicas para o disco ainda? Como está esse processo?
Juliana R. -O disco tá pronto desde set/09, mas todo esse tempo eu tava enrolada vendo como faria para lançá-lo e acabei me atrapalhando com outras coisas também. Como achei que dezembro não era um mês legal pra lançamento, acabei deixando pra esse ano e assim eu poderia resolver as coisas com mais calma. Agora só falta mandar pra fábrica.

Você tem feito shows em diversos lugares aqui em Sampa. Como estão seus planos para tocar fora daqui? Algum festival em vista?
Juliana R. -Vou esperar o disco sair pra ir atrás disso, porque aí fica mais fácil pra arrumar shows e eu terei o disco ali na mão. Por enquanto, nenhum festival em vista, mas pode me chamar que eu vou.

E, pra encerrar, o que você achou de integrar a lista do jornal O Globo dos cinco artistas que prometem bombar em 2010?
Juliana R. -Achei engraçado e fiquei feliz que tem gente que gosta da minha música. Tomara que 2010 seja um ano bom mesmo!

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