Apanhador Só lança CD homônimo com sons pouco convencionais

Banda Apanhador Só. Foto: Rafa Rocha

[Natasha Ramos] Em meio a um punhado de bandas fabricadas em série, uma ou outra consegue se destacar no cenário independente, oferecendo uma proposta sonora interessante e única (ou o mais próximo que se pode chegar disso, atualmente).

É o caso da Apanhador Só, banda gaúcha daquelas que não dá para se ouvir apenas uma vez. Desde que minhas mãos tocaram o CD de estreia perdi a conta de quantas vezes o escutei.

A primeira vez que os vi foi há algumas semanas no show que realizaram no Tapas Club (R. Augusta – São Paulo). Chamou-me a atenção o som particular que saia das caixas de som e me atingia em cheio. Seria rock com pitadas de música brasileira ou música brasileira com nuances roqueiras? Difícil definir.

O Palco Alternativo conversou com a banda para conhecer um pouco mais do trabalho dos caras. O Raio-X da Apanhador Só, você confere a seguir.

Início e nome

A banda com o nome “Apanhador Só” existe desde os tempos de colégio, conta o guitarrista Felipe Zancanaro. Mas, o marco inicial foi o ano de 2006, quando lançaram o primeiro EP, intitulado Embrulho Pra Levar.

“Conta-se que para inscrever a banda em um concurso do colégio, o Marcelo Souto (integrante da formação colegial/inicial da Apanhador) teve que inventar esse nome às pressas na última hora e sair correndo com a ficha de inscrição para entregar a tempo. Eu não estava lá e ele se recusa, mesmo sob tortura, a contar detalhes de como se deu a criação do nome”, conta Felipe.

Além de Zancanaro, completam a formação da banda Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martins Estevez (bateria).

Músicas

Definir o som da Apanhador é uma tarefa difícil. Ao longo do CD homônimo, lançado no dia 21 de abril, no Teatro Renascença, em Porto Alegre (RS) —e disponibilizado para download no site http://www.apanhadorso.com— , o máximo que se pode dizer é que é um disco de rock, voltado para ritmos brasileiros.

“Gostamos de ter liberdade para levar nossa música na direção que achamos interessante na hora, sem nos prender muito. Flertamos com tudo que passa pela nossa frente, do tango ao baião”, comenta Felipe.

Produzido de forma independente, o CD Apanhador Só teve o financiamento do FUMPROARTE, Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre.

Para um CD independente, é visível o profissionalismo e capricho com que foi feito. Desde a concepção gráfica: a direção de arte e a ilustração da capa, que ficou a cargo de Rafa Rocha, e as ilustrações dos cartões do encarte (o CD vem com cartõezinhos que podem ser editados ao gosto de quem os estiver manuseando), de autoria de Fabiano Gummo; até a produção musical que ficou por conta de Marcelo Fruet. O disco ainda contou com a colaboração do poeta gaúcho Diego Grando, do compositor Ian Ramil e Estevão Bertoni, vocalista da banda Bazar Pamplona.

Além desse álbum, a banda leva na bagagem dois EPs: o primeiro, já citado Embrulho Pra Levar, de 2006, e o segundo, de 2008, apelidado carinhosamente pelos integrantes de “EP Verde”.

Instrumentos inusitados

Uma curiosidade da Apanhador Só é o fato de, além dos instrumentos convencionais (bateria, guitarra e baixo), nas músicas, é possível detectar outros elementos “musicais” inusitados.

“Boa parte das músicas do disco tem o que a gente chama de ‘percussão sucata’. A Carina Levitan se encarregou delas quando veio de Londres, onde mora agora, para Porto Alegre”, conta o guitarrista.

Assim, ao longo do disco homônimo é possível encontrar sons de máquina registradora e projetor de filme, como na faixa “Um Rei e o Zé”; em “Pouco Importa”, Carina toca grelha de churrasco; em “Maria Augusta” tem pato de borracha, panela, chave de roda, sineta de recepção e apito; “Peixeiro” são interruptores de luz e sons eletrônicos; “Bem-me-leve” tem roda de bicicleta (a que está na capa do disco) e sineta de recepção; em “O Porta-retrato”, furadeira; “Balão-de-vira-mundo” traz balão de aniversário; “Jesus, o Padeiro e o Coveiro” tem som de lata de rolo de filme e sineta de recepção; em “Origames Over”, fita adesiva, grampeador, papel rasgado e panela; “Vila do ½ dia” tem sacola plástica; e, finalmente, “E Se não Der?” tem som de móbile de chaves.

A ideia de inserir esses “instrumentos” nas músicas surgiu na casa de Alexandre, antes mesmo de ele entrar na banda. “Naquela época, os integrantes ensaiavam na garagem dele e lá tinha uma porrada de cacaredos de todos os tipos. Em um improviso, eles começaram a bater de lá, arranhar de cá, chutar ali, amassar aqui e gostaram do resultado. Daí foi só desenvolver a idéia, encontrando os espaços certos para cada bugiganga e transportar o aparato todo para os shows. Hoje em dia, por sermos um quarteto, levamos só a bicicleta para o palco e fico encarregado e toca-la”, conta Felipe.

Shows e Futuro

No histórico de apresentações, a banda coleciona lugares como o MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro, abrindo o show da Maria Rita, juntamente com outras duas bandas vencedoras do festival da gravadora Trama. Recentemente, estiveram na Feira Música Brasil – Circuito Off, em Recife, e também já tocaram em diversas casas pelo interior e capital do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Presidente Prudente (SP) e Florianópolis (SC).

Com o lançamento do álbum, a banda pretende investir na promoção do disco. “Neste ano, pretendemos seguir divulgando o disco, fazer o maior número de shows possíveis e, provavelmente, gravar algum videoclipe de alguma música do disco”, comenta.

http://www.myspace.com/apanhador

www.apanhadorso.com

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