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RAIO-X: Fotograma lança CD début e se apresenta em diversos pontos de SP

 

Álbum de estreia "Trilha Sonora Intuitiva", da banda Fotograma

Álbum de estreia "Trilha Sonora Intuitiva", da banda Fotograma

[por Natasha Ramos]

Com músicas baseadas em arranjos de violão hipnóticos, com nuances de jazz, folk e MPB, temperadas com letras que falam dos sentimentos e da condição humana, a banda Fotograma vem tomando espaço na cena indie atual.

Recentemente, o grupo lançou seu álbum de estreia Trilha Sonora Intuitiva e clipe do single Reticências, disponível no Youtube, e está com a agenda cheia de shows para lançar o disco. Confira o Raio-X  da Fotograma!

Início e integrantes

Como dissemos no começo desta matéria, a Fotograma começou como um projeto idealizado por Luiz Campos Jr. (violão, voz, guitarra e gaita), em 2005, ano em que lançou seu primeiro registro, Sensorial, gravado com a participação de amigos.

Foi em meados de 2007 que Luiz decidiu oficializar seu projeto como banda. A princípio, chamou Mariana Cetra (voz, piano, acordeon e flauta) — que participou do EP Sensorial —, mas não demorou muito para que Carlos Costa (contra-baixo), Paulo Matos (guitarra) e Fábio Barbosa (bateria) fossem incorporados à formação da Fotograma.

“Conheço todos eles há muito tempo, bem antes de formar a banda”, conta Luiz em entrevista ao Palco Alternativo. “Quando senti vontade de, realmente, transformar o projeto em banda pensei neles, pois gostava do estilo com que todos tocavam”, completa.

Antes da Fotograma, porém, Luiz chegou a tocar em outra banda, chamada Comespace, e Paulo tocou na Post, ambas extintas. Carlos concilia seu tempo com outra banda, a Continental Combo, assim como Barbosa, que toca na Gasolines.

 

Os vocalistas Luiz Campos e Mariana Cetra
Os vocalistas Luiz Campos e Mariana Cetra
Paulo Matos (guitarra) e Carlos Costa (Baixo)

Paulo Matos (guitarra) e Carlos Costa (Baixo)

 

Nome e influências

Denomina-se fotograma cada uma das imagens impressas quimicamente na fita de celulóide do cinematógrafo. Em termos mais simples, é cada um dos quadradinhos (as fotografias) do filme revelado.

“Eu gosto muito de fotografia e cinema. Acabei tirando esse nome, justamente, dessa minha paixão por esses dois elementos”, explica Luiz. “A questão da imagem também está bem presente nas composições. A intenção é trabalhar a música enquanto imagem, cada música passa uma imagem”, acrescenta.

As influências da banda são diversas, vão desde música clássica até guitar bands. “Gosto muito de Beethoven, Beatles, Milton Nascimento, Tom Jobim, Chico Buarque, mas também guitar bands, como Jesus and Mary Chain”, conta Luiz.

Com tantas sonoridades mescladas fica difícil definir exatamente o som da Fotograma. Cada integrante traz a sua centelha musical ao todo, formando uma massa sonora criativa.

“É difícil rotular o som, mas basicamente é uma mistura de folk, rock, jazz e mais alguma coisa que não sei dizer o que é”, explica um Luiz, ligeiramente hesitante.

“A música Bêbadotempo, por exemplo, é uma mistura de jazz, maracatu e música brasileira. Cada música possui sua história e sonoridade próprias, por isso acredito que o som do disco seja bastante rico”, completa.

Músicas, clipe e inspirações

O disco ao qual ele se refere é o recém lançado Trilha Sonora Intuitiva, primeiro trabalho oficial da banda, que antes havia lançado os EPs Anda, Corre, Voa (2006) e Sensorial (2005) bem ao estilo homemade.

Sobre as inspirações para compor as faixas, Luiz explica: “meu método é muito intuitivo, tenho facilidade de colocar para fora meus sentimentos através da música. Neste álbum, falamos sobre a desvalorização do ser humano, que perdeu um pouco sua identidade. As músicas tratam ainda dos sentimentos humanos e como tentar seguir em frente e vencer todos os males que nos cercam.”

“’Anda, Corre e Voa’, primeira música que fiz em parceria com Mariana, é quase um manifesto de libertação da alma, foi o ponto de partida para a construção da banda”, completa.

O disco está à venda na Sensorial Discos (sensorialdiscos@uol.com.br / Tel.: (11) 3333-1914) por R$ 15, com frete incluso para todo o Brasil.

A banda também acabou de lançar o clipe da música “Reticências” no Youtube. Vale a pena conferir:

Confira as datas dos shows de lançamentos do “Trilha Sonora Intuitiva” em SP:

11 de setembro, às 23h – Berlin | La Noche Cool –  R$10

24 de Setembro, às 18h – Projeto Som Jovem | Metrô Santa Cecília – Gratuito

09 de outubro, às 23h – Funhouse –  R$ 15 para homens e R$ 10 para mulheres

22 de outubro, às 21h -Livraria da Esquina – R$ 15

www.myspace.com/fotograma

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Papo rápido com as meninas do Choro das Três

Elisa, Corina e Lia
Elisa, Corina e Lia

[Por Natasha Ramos]

Com apenas 21, 18 e 16 anos, respectivamente, as irmãs Corina (flauta), Lia (violão de sete cordas) e Elisa (bandolim), ao lado do pai Eduardo (pandeiro), formam o conjunto de música instrumental Choro das Três.

Vindas de Porto Feliz (interior de São Paulo), as meninas chamam a atenção do público por onde passam e vêm difundindo sua música de raiz, com ênfase no choro da velha guarda, há cinco anos.

O Choro das Três leva na bagagem o álbum de estreia Meu Brasil Brasileiro (lançado em 2008, pela Som Livre), que mescla faixas autorais com músicas de grandes nomes do gênero, como Ernesto Nazareth (“Brejeiro”), Zequinha de Abreu (“Tico Tico no Fubá”), Pixinguinha  (“Carinhoso”) e Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”).

Em entrevista ao Palco Alternativo, as meninas contaram de onde surgiu a paixão pela música, como se deu a escolha do choro e quais os artistas que elas indicam. Confira!

Como é a cena musical de Porto Feliz, em relação ao chorinho?

Corina: É inexistente. Somos o único grupo de choro da cidade. Em Porto Feliz, tinha um coral —a partir desse coral que eu comecei a tocar—, ministrado por um professor voluntário, Marco Leite, na minha escola, e tem a Escola Municipal de Música, que foi onde começamos a estudar música. Mas dizer que lá tem shows, teatro, não tem. É uma cidade muito pequena.

De onde surgiu o gosto pela música?

Corina: Meu pai é apaixonado por música, passa o dia inteiro com o rádio ligado. A gente sempre teve muita música à disposição, CDs de todos os tipos, desde jazz à rock, bossa nova, música clássica… Ele sempre gostou muito e acabou passando essa paixão pela música para a gente.

Por que vocês escolheram o chorinho?

Corina: Na verdade, a gente não sabe muito bem por quê. Eu era pequena, tinha 8 anos, e no meio desse monte de CDs, meu pai tinha só um de choro, do Altamiro Carrilho. Eu achei esse disco e só queria ouvi-lo. Fiquei encantada. Aí, a gente começou a vir para São Paulo, nas rodas de choro. E eu comecei a tocar flauta por causa desse disco do Altamiro Carrilho. Foi um gênero que me encantou.

A gente sempre diz como é engraçado o fato de uma criança de 8 anos ter gostado de um gênero que não é comum. Costumamos dizer que é só você dar oportunidade para as pessoas conhecerem, ouvirem, que sempre vai ter gente interessada. Ninguém pode gostar do que não conhece.

Como as coisas começaram a acontecer para vocês, quando começaram a fazer mais shows?

Corina: Há uns quatro ou cinco anos, começamos a receber convite de TV de gente querendo assistir aos nossos shows, de gente querendo contratar… Em 2008, a gente lançou o CD pela Som Livre e, graças a Deus, estamos fazendo bastante apresentações.

Em outra ocasião, a Elisa havia dito que fazer música é fácil, o difícil é dar um nome às composições. É verdade isso? Vocês compõem muito?

Elisa: Mais ou menos. Se você tem um tema e faz a música com esse tema, é fácil escolher um nome. É mais difícil quando você cria alguma música sem um motivo exato. Aí, às vezes, eu não sei qual nome dar.

Corina: Às vezes não. Tem umas dez músicas sem nome lá em casa.

Elisa: Eu fico com medo de colocar um nome e depois me arrepender.

Vocês começaram com outro nome, Balaio de Gato. O que as levou a mudá-lo?

Corina: Descobrimos que já havia uma banda de forró do Nordeste com esse nome registrado.

O que na opinião de vocês destaca o choro dos demais estilos musicais?

Corina: O choro é uma música difícil tecnicamente. É a música clássica brasileira, mas é mais livre, espontânea e tem elementos da música popular.

Dessa nova leva de artistas do chorinho quais vocês indicam?

Corina: O Yamandu Costa, Luciana Rabelo, Zé barbeiro, tem vários.

RAIO-X: Conheça o rock caipira da banda paranaense Charme Chulo

Charme Chulo

Charme Chulo

[Por Natasha Ramos]

Pense no pós-punk oitentista. Acrescente a isso música caipira, daquela bem de raiz. Pegue esses elementos e misture. Disso resultará a banda paranaense Charme Chulo.

Declaradamente influenciados por nomes tão díspares como The Smiths e Tião Carreiro & Pardinho, os caras vêm fazendo barulho por onde passam, chamando a atenção de público e crítica, que define o grupo como uma mescla de rock inglês dos anos 80 e música caipira de raiz.

Vestidos a caráter, com camisas xadrez e outros elementos que remetem ao imaginário caipira, a banda já se apresentou em diversas cidades do Brasil, em clubes e festivais alternativos, e fazem parte dessa nova leva de bandas que vale a pena ouvir.

Integrantes

Formada em 2003 pelos primos Igor Filus (vocal) e Leandro Delmonico (guitarra e viola caipira), a banda conta ainda, em sua atual formação, com Peterson Rosário (baixo) e Rony Jimenez (bateria).

Peterson e Rony entraram para a banda em 2005; eram colegas de Leandro da faculdade, onde estudavam comunicação e publicidade.  Algo curioso é que Peterson, o último a completar a formação atual, era fã da banda, fato que contribuiu para que a afinidade entre eles fosse impecável.

Além do Charme Chulo, Igor e Leandro tiveram uma banda chamada Cristiane F., Peterson tem experiências em corais e bandas religiosas e o Rony toca em bandas de punk rock 77.

Início

“Um belo dia, em 2002, eu e meu primo, insatisfeitos em ouvir e tocar apenas nossas influências de rock inglês e pós-punk, filosofávamos sobre qual seria a música brasileira mais paranaense que existia”, conta Igor em entrevista.

É então que pegaram uma fita velha, em que havia a música “Boi Soberano” da dupla caipira Tião Carreiro & Pardinho, e chegaram a uma conclusão: “é música caipira, meu filho! Isso é a coisa mais brasileira que existe por aqui”, entusiasma-se Igor.

Após tal “insight”, não tiveram dúvida: acrescentaram à guitarra e aos outros instrumentos de praxe a viola caipira, compondo assim esse mix de música regional e rock oitentista, características marcantes da banda.

Nome

Nos idos de 2002, quando ainda estava surgindo a proposta musical e estética da banda, Igor perguntou a seu primo: “Caipiras Europeus ou Charme Chulo?”.Leandro não teve dúvida: “Charme Chulo”.

“Jamais colocaríamos um nome aleatório na banda, esse nome tem toda uma relação com o trabalho como um todo”, acrescenta Igor.

Influências

Igor também nos conta de onde vem a inspiração para produzir esse o peculiar som do Charme Chulo. “Gostamos sempre de dizer: Tião Carreiro & Pardinho, Almir Sater, Legião Urbana (discos I e II), R.E.M., The Smiths, Violent Femmes (do início) e The Thrills, além de filmes do Mazzaropi e o conto “Vampiro de Curitiba”, de Dalton Trevisan”.

Músicas

A banda leva na bagagem um EP, Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou (2004/2005), o álbum de estreia homônimo, lançado em 2007, onde é possível encontrar a mais popular música da banda, “Mazzaropi Incriminado”, cujo clipe já pode ser conferido no youtube ou aqui:

Eles ainda lançaram um disco ao vivo, gravado durante o projeto curitibano intitulado Ao Vivo na Grande Garagem que Grava (2008), que reúne músicas de seus dois discos anteriores mais duas inéditas.

Onde ouvir

Os caras já se apresentaram nas principais capitais do país, (exceto as do nordeste). Dentre os festivais em que já tocaram está o Curitiba Rock festival (PR), Demo Sul (PR), Grito Rock (MT), Ruído Festival (RJ), Ampli Vol. 2 (SP) e Vaca Amarela (GO).

No site oficial da banda, músicas do EP e dos dois álbuns podem ser ouvidas e algumas estão disponíveis para download. Além disso, os caras também estão no MySpace (www.myspace.com/charmechulo).

RAIO-X: Conheça a banda paulitana As Cobras Malditas

Banda As Cobras Malditas
Banda As Cobras Malditas

[Por Natasha Ramos] Enquanto muitas bandas se enveredam pelo rock moderninho ou pelo folk dissolvido, os paulistanos d’As Cobras Malditas embrenham-se no terreno híbrido do blues e do rock direto e cru, com letras que falam basicamente sobre mulheres.

Segundo a própria definição dos caras, eles seriam algo como “Jon Spencer em uma interminável viagem de ácido, ou Hound Dog Taylor espancando cada membro dos Sonics em uma briga de bar”.

Quando fomos atrás deles, nossa única referência era o baterista Zé, ex-vocalista do Borderlinerz, mas ao ouvi-los, nós simplesmente gostamos. Assim, de cara. Tão imediato como um soco no estômago. É por isso que o raio-x da semana é d’As Cobras Malditas. Confira!

Início

A banda existe desde 2004, quando Alessandro Psycho (vocal) e Rogério Tarantino (guitarra/violão), influenciados pela cena rock de Detroit, resolveram montar a banda aqui no Brasil. Não demorou muito para que Marcelo Schenberg (guitarra, violão) e Zé (bateria), que compartilhavam interesses musicais semelhantes, surgissem para completar a formação da banda.

“Eu já era amigo do Rogério, com quem eu conversava sobre várias bandas que curtíamos. Então, em 2003, fomos para Detroit, onde vimos vários shows legais por lá, o que nos motivou a montar nossa própria banda quando voltamos”, conta Alessandro Psycho em entrevista ao Palco Alternativo.

“Isso aconteceu nos primeiros anos da Funhouse [casa de shows alternativa, localizado na Bela Cintra, que surgiu em agosto de 2002] e, na época, o Marcelo era um dos donos do clube. Quando a gente voltou de Detroit, ele havia acabado de voltar de Nova York e já tocava guitarra num estilo garage, blues, punk. Chegou um momento em que nos juntamos todos, mas ainda faltava um baterista. Foi quando Rogério chamou o Zé, quem ele conhecia da faculdade, e assim As Cobras Malditas estava completo”.

Com exceção de Rogério Tarantino (esse é o sobrenome dele mesmo!), todos os outros integrantes possuem ou já fizeram parte de outras bandas.

“Eu tinha uma banda de blues com o Marco Butcher [Rocha], chamada Black Mambas, com a qual saímos em turnês pela Argentina, mas que acabou pouco depois de voltarmos”, conta Psycho.

Além dele, Marcelo tocava em uma banda chamada Sellouts, e o Zé, ex-vocalista do Borderlinerz, tocou anterioremente em uma banda punk de garagem chamada Holly Tree.

Influências e nome

As influências d’As Cobras Malditas passeiam entre o blues e o soul. “Eu, por exemplo, gosto bastante de Bo Diddley e Link Wray, que são dois guitarristas norte-americanos rock and roll e que influenciaram bastante a minha formação musical”, conta Psycho.

“Os outros integrantes da banda estão mais para o blues, conhecem mais o estilo, não o moderno que toca no Bourbon Street, mas o blues mais underground, o blues raiz”, acrescenta.

Já quanto à escolha do nome, inicialmente a banda tinha o nome em inglês: Goddamn Snakes. “Mas,aí ninguém conseguia falar, então a gente resolveu mudar para o português mesmo e ficou As Cobras Malditas, na tradução literal. Sempre tive uma fixação com cobras, acho que soa bem. Não é a toa que minha outra banda se chamava Black Mambas”, conta Psycho.

Músicas

A banda possui um EP, Love Myself For Hating You, com quatro músicas que eles distribuem gratuitamente nos shows. No começo de 2009, a banda entrou em estúdio, no clube Berlin (mix de balada e estúdio, cujos donos são o guitarrista das Cobras, Marcelo Schenberg, e seu primo, o produtor da banda, Jonas Serodio), para gravar faixas escolhidas dos materiais antigos e novos da banda, incluindo covers.

“Gravamos doze faixas das Cobras com o Jonas em rolo em dois dias de estúdio. Depois disso, o Tarantino e o Marcelo gravaram mais duas faixas instrumentais no violão e agora só falta uma balada que compus e um cover do Howlin’ Wolf, que terão uma cara mais acústica”, explica Psycho.

Ainda falta inserir as vozes, acertar alguns detalhes, escolher as faixas que irão entrar no disco e mixar/masterizar. Segundo Psycho, o trabalho deve sair em final de junho. A banda pretende correr atrás do apoio de uma gravadora para a distribuição do álbum, mas caso não consigam, “lançaremos nós mesmo de forma DIY (Do It Yourself)”.

Paralelamente a isso, a banda havia sido convidada pelo dono do selo argentino Rastrillo para gravar uma faixa para o vinil sete polegadas South American Teenage Garage Punk, que contará com outras três músicas de bandas sul-americanas. Mas como tem ocorrido em vários lugares, a crise tem afetado fortemente a Argentina, o que adiou um pouco os planos.

De qualquer forma, um outro argentino, Elio, antigo articulista do fanzine underground Cosa Salvaje convidou a banda para gravar uma das faixas da coletânea de covers do Link Wray, com lançamento exclusivo no país vizinho. As Cobras ficaram encarregadas da “The Shadow Knows”.

Enquanto este e outros trabalhos não saem, as músicas dos caras estão disponíveis na página deles no MySpace (/ascobrasmalditas).

Shows

Por ora, a banda está sossegada quanto a tocar. Segundo Psycho, eles estão num momento de focar na finalização do disco, para assim, correr atrás de lugares. O show de lançamento do disco será, provavelmente, no CB Bar, casa alternativa localizada na Barra Funda.

Psycho que, atualmente, é gerente do clube Berlim, já discotecou na festa Tiki Twist, que rola às quintas-feiras no CB. “Saí da festa no meio do ano passado. Discotecar velharias com João Gordo é muito divertido, porém eu estava concentrado no meu trabalho na gerência do Berlin e não havia espaço para discotecar”, comenta o vocalista.

Além deste lugar, As Cobras já se apresentaram em outras casas de show alternativas como a já citada Funhouse, o Outs, Amp Galaxy e a D-Edge. A banda também já fez uma dupla turnê com a banda canadense King Khan & BBQ pelo país. E tocaram no maior festival de bandas de garagem da Argentina chamado Buenos Aires Stomp.

Em relação aos festivais nacionais, Psycho não se mostra muito interessado. “Temos um pouco de bode dos festivais nacionais. Sou amigo dos organizadores do Abrafin [Associação Brasileira de Festivais Independentes de Música] e sei que existe muita politicagem em relação aos festivais, não pagam direito as bandas, colocam 30 bandas para tocar no mesmo dia. É muita festa, não é sério”.

Situação atual

“Eu estou de férias há um mês, em retiro, pois exagerei muito nesses últimos anos à noite. Os outros meninos estão ocupados trabalhando e estudando. Sempre teremos vontade de fazer uma mini turnê na Europa, como o Black Needles e o Haxixins fizeram, algo low profile. Vamos ver, com um disco na mão fica mais fácil. De resto, [queremos] tocar as músicas novas, afinal quem canta, seus males espanta”. Dito.

RAIO-X: Conheça a banda paulistana Castigo Elétrico, que toca um blues com nuances roqueiras

Banda Castigo Elétrico

Banda Castigo Elétrico

[Por Natasha Ramos]

Gênero pouco divulgado no Brasil, o blues ficou relegado ao underground e a mídias especializadas no assunto. Diz a lenda que os músicos que defendem o estilo o preferem assim. Conjecturas à parte, fato é que, hoje, as bandas brasileiras de blues têm mais espaço para tocar do que antes. Pubs proliferaram e festivais dedicados ao gênero foram surgindo em várias cidades do país.

“Não dá para dizer que é o ideal, mas tem espaço sim”, comenta Fábio Levatti, guitarrista, bandolinista e vocalista da Castigo Elétrico ao Palco Alternativo, durante ensaio da banda.

“Quem vive de música gostaria que [o gênero] ‘estourasse’ para ganhar dinheiro”, comenta Roberto Terremoto, vocalista e guitarrista da Castigo Elétrico. “Mas, por exemplo, o [guitarrista, cantor e compositor brasileiro de blues] Big Gilson que fez turnê com simplesmente [o guitarrista e cantor norte-americano de blues] Johnny Winter, considerado um deus nos Estados Unidos. Quantas notas você leu em alguma revista? Não é divulgado”, acrescenta.

“O próprio Celso Blues Boy quando gravou aquela música ‘Mississipi’, com o BB King, só foi notícia no meio do blues. Acredito que, mesmo que tenha se popularizado um pouco, o gênero não vai chegar a ser algo comercial”, acrescenta Fábio.

“Seguidores” do gênero, a banda paulistana Castigo Elétrico, formada ainda por Alê Rossi (baterista) e Ricardo Blane (baixista, saxofonista e backing vocal), existe há dois anos e meio, com um disco virtual na bagagem —Devolve a Minha Sorte— gravado de forma atípica.

Integrantes da Castigo Elétrico, que recebeu a equipe do Palco Alternativo em ensaio da banda

Integrantes da Castigo Elétrico, que recebeu a equipe do Palco Alternativo em ensaio da banda

“O disco não foi concebido como é normalmente. A gente ensaiava duas músicas e gravava. Depois de alguns meses, alguém da banda trazia mais três, ensaiávamos e gravávamos. Começamos a gravar em 2006 e terminamos em 2007”, explica Fábio.

Assim como aconteceu no processo de gravação do disco, a banda surgiu de maneira despretensiosa. “Eu e o Blane tocávamos juntos desde 1998, numa banda chamada Canalhas Ordinários, que depois virou Artéria, com a qual lançamos dois discos. Em 2006, a banda terminou para valer”, conta Fábio.

“Roberto, que tocou com meu irmão em uma banda chamada Jafer Blue, conhecia o Alê, há bastante tempo, dos projetos de blues deles [além da Castigo, Roberto e Alê tocam em outra banda de blues chamada Bimbols Brothers] e ensaiavam em um estúdio que eu tinha. Já tínhamos amizade. Um dia, conversando, a gente disse ‘Vamos fazer um som?’. Era isso. Não era montar uma banda, era fazer um som”, explica Fábio.

Escolha do nome

A escolha do nome se deu a partir do filme dos Muppets, que, ao que tudo indica, é uma grande influência da banda. “Eu estava assistindo ao filme dos Muppets dublado”, explica Fábio. “A bandinha deles, do animal na bateria, estava tocando em uma igreja, quando entra o Caco, ouve aquela barulheira do inferno e pergunta: ‘quem são vocês?’, no que eles respondem: ‘Nós somos e sempre seremos o Castigo Elétrico’. Na época, a gente já ensaiava, achamos espetacular e tinha que ser esse nome”, acrescenta.

Músicas

“Inclusive a [música] ‘Jorge’ teve a letra inspirada nos Muppets também”, lembra-se o baterista Alê Rossi.

Fábio explica: “Tem um cachorro dos Muppets que toca piano. No primeiro episódio da primeira temporada, ele toca uma música chamada “Eu, Você e Jorge”. Aí, eu tive a ideia de compor uma letra a partir dessa música, na qual eu sou Eu, Você é a menina e Jorge é o que tomou o chifre.”

Capa do disco "Devolve a minha sorte"

Capa do disco "Devolve a minha sorte"

A composição das letras, geralmente bem-humoradas, é dividida entre Fábio e Roberto, mas conta com a colaboração dos outros integrantes. “Na ‘Toninho Tranca Rua’ eu cheguei [num ensaio] com o refrão ‘Toninho Tranca Rua, gosta de charuto, pinga velha e mulher nua’. Então, tivemos a ideia de fazer uma música sobre um cara que prende o diabo na guitarra”, explica Fábio.

Além dessas, também é deles a “Amélia, ex-mulher de verdade” —música composta por Roberto, que fala de uma Amélia emancipada, muito diferente da Amélia de Mário Lago, no sambinha de 1941—, que, inclusive, foi tocada por outra banda de blues, a Havengar, em uma apresentação.

Apesar da maioria das faixas do álbum ter uma pegada blues, há músicas que saem desse contexto, como a piegas “Seres Humanos” e a “Castigo Elétrico”. Acontece que além de bandas de blues, os integrantes da Castigo tem outras influências…

Influências

Com orientações musicais que passeiam do blues ao rock’n’roll, a banda tem uma proposta aberta a experimentações, dentro desses dois gêneros. Cada um fala quais são suas influências roqueiras.

“Eu sou do punk”, diz entre risos o baixista Ricardo Blane. “Gosto, principalmente, de Ramones, Beatles e Red Hot Chilli Peppers, por conta do baixista Flea”.

“Eu já vou mais prum Van Halen, Led Zeppelin, New Order, Depeche Mode, eu adoro…”, conta Alê Rossi.

“Eu gosto mais dos clássicos, o rock do começo, Elvis, Chuck Berry… E, no Brasil, Raul Seixas, o ícone”, diz Fábio. “Também gosto de bandas, cujas letras são bem humoradas, como Camisa de Vênus e Ultrage [a Rigor]”, acrescenta.

“Blues eu curto de tudo, mas, eu comecei escutando rock’n’roll. A melhor banda do mundo é AC/DC. E a segunda é Lynyrd Skynyrd. Depois vem o resto”, enfatiza Roberto.

Onde ouvir

No site Music Delivery é possível escutar as faixas na íntegra e baixar o disco completo Devolve a minha sorte, do Castigo Elétrico. “A própria Music Delivery já colocou [as músicas] em todos esses sites, como Terra, Uol, Baixahits”, comenta Fábio.

Além desses, é possível ouvi-los no Myspace da banda e no site Palco MP3, onde estão disponíveis oito músicas.

Shows

Banda durante apresentação

Banda durante apresentação

Durante os shows, predomina o improviso. “O legal do blues é que nenhuma versão é igual à outra, porque é tudo improviso, como no jazz, ninguém quer ver aquele solo do disco”, diz Roberto.

Por enquanto, a banda não tem datas de apresentações previstas. O último show aconteceu em 15 de março, no Ton Ton Jazz, em Moema. Fora esse, a Castigo fez poucas apresentações. A primeira foi na Alltv, uma TV pela internet, depois, em outubro de 2008, eles tocaram na Feira Erótica. Já tocaram no St. Johnns Pub, no Tatuapé, e no Paddy’s Pub, em Santana.

“Nós começamos pelo fim. Começamos gravando o CD para depois tocar em shows”, comenta Roberto.

“É, a gente fez o inverso. Geralmente, as pessoas tocam, tocam, tocam e depois gravam o disco”, confirma Fábio. “A ideia é começarmos a tocar agora e juntarmos uma grana para prensarmos o disco físico. Aí podemos correr atrás de pocket shows nessas livrarias da vida, fnac, Saraiva…”, acrescenta. Com a crise permanente da indústria fonográfica, o CD acabou virando mais um cartão de visitas, do que algo rentável.

Cena alternativa

Por pertencerem a uma cena alternativa, os músicos brasileiros de blues, ídolos para muita gente como o Celso Blues Boy, não são intangíveis como muitos músicos do rock ou pop.

“O Paulo Meyer, um gaitista das antigas, é muito gente boa. Já dei canja com ele várias vezes em shows”, conta Roberto que mantém um blog especializado no gênero, no qual entrevista vários músicos de blues. “O [carioca] Celso Blues Boy veio tocar em São Paulo, certa vez, e recebeu a gente super bem no camarim…”. acrescenta

Segundo eles, a cena de blues nacional costuma ser mais forte no Rio de Janeiro, terra do músico Big Gilson. “Esse cara é patrocinado pela Marshall. É o único guitarrista da América Latina que tem Marshall com o nome dele no amplificador. E quase ninguém escutou o nome desse cara até hoje”, comenta Roberto, voltando ao ponto de que os músicos de blues não recebem a devida atenção da imprensa.

Talvez a autenticidade do blues permaneça pelo fato de, justamente, não ter sido um gênero que caiu nas graças da grande mídia. Permanecendo no underground, o blues conservou sua identidade, atraindo para si apenas quem realmente se interessa por essa vertente da música negra.

 

DISCO CLÁSSICO: “Here are the Sonics”, The Sonics

[Por Natasha Ramos]

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“Here Are the Sonics”
Selo:
Etiquette
Ano: 1965

 

Pode-se dizer que a banda The Sonics antecipou em mais de 10 anos a tendência sonora do que viria a ser chamado de punk, posteriormente. Músicas como “Strychnine”,”Psycho” e “The Witch”, que recheiam seu disco de estreia, Here Are The Sonics, baseiam-se em acordes simples, tocados rapidamente, sintetizando o imediatismo musical do gênero.

Os Sonics surgiram como uma banda sem muita pretensão. Mas, apesar da ausência de uma apuração técnica, os caras tinham algo a mais. “Os Sonics não eram grandes músicos”, afirmou, certa vez, Buck Ormsby (baixista do Wailers), que contratou a banda para o selo Etiquete Records, “mas tinham alguma coisa mágica”.

Além de antecipar a energia punk, os rapazes de Tacoma, Washington, acrescentaram à poção nuances do que estava acontecendo na metade década de 60 —a invasão inglesa capitaneada pelos Kinks e o rock’n’roll de Little Richard.

À isso, acrescente letras com temáticas diversas, como a cultura adolescente daquele tempo, carros, guitarras, surf, garotas, além de um universo mais sombrio que incluía bruxas, psicopatas e satan (“The witch”, “Psycho” e “He’s waitin”, respectivamentre).

Considerada uma banda de garagem, os Sonics fizeram barulho com seu single de estreia, “The Witch”, lançado em 1964, que foi o mais vendido no noroeste americano. A partir disso, a banda gravou o LP no AudioCuts, em Seatle, ao vivo —o que é facilmente perceptível pelo ratatá da bateria de Bob Bennett e os gritos de dar frio na espinha do vocalista Jerry Roslie, na maravilhosa “Psycho”.

A banda nunca chegou a fazer um sucesso astronômico em território americano, mas emplacaram uma série de hits em sua região e influenciaram bandas punks como The Dead Boys, com seu estilo e postura; grunges, como Mudhoney; pós-punk, com The Fall e até a garage band, surgida no final dos anos 90, Eagles of Death Metal.

Apesar de existirem há mais de meio século (a banda, formada em 1960, havia parado em 1968 e retornou à ativa em 2008), o som dos Sonics é atualíssimo. Ou será que são as bandas de hoje que estão cada vez mais buscando referências no passado? Questionamentos à parte, se você ainda não ouviu o som dos caras, dá uma conferida no vídeo abaixo deles tocando em março de 2008, em Londres:

O Pior dos Melhores: ‘Sally Can’t Dance’ and I can’t hear

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Até o líder do Velvet Underground, Lou Reed, escorregou com um disco ruim

Por Natasha Ramos

Existem vários nomes na música que se consagraram por trabalhos primorosos. Aqueles álbuns que você não se cansa de ouvir, que marcaram momentos em sua vida ou que simplesmente soam divertidos.

Porém, depois de um tempo considerável na estrada, talvez um ou outro disco não tenha recebido a devida atenção, ou a proposta do músico mudou, e eis que surge aquele ruído na carreira do artista.

É o caso do cantor, guitarrista e compositor Lou Reed. Calma! Eu sei que muitos fãs incondicionais podem discordar, mas é em momentos como o disco Sally Can’t Dance, que se faz necessário resgatar o bom e velho senso crítico.

Pensemos no currículo de Reed. O cara foi o formador da Velvet Underground, uma das bandas de vanguarda da década de 60; influenciou nomes como Iggy Pop, David Bowie, Joy Division, Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e até Nirvana.

Após o término da banda, Lou seguiu com sua carreira solo, tornando-se um pouco mais comercial se comparado à proposta de sua extinta banda.

Lança o álbum Transformer (1972), que traz a famosa “Walk On the Wild Side”, em que o músico muda o tom, mas não muda o tema (falando sobre o submundo de Nova York), e “Perfect Day”, a música do famoso, no universo alternativo, filme “Transpotting”.

Depois de lançar um álbum como esse, espera-se uma sucessão de bons trabalhos. Mas, dois anos mais tarde, em 1974, eis que chega Sally Can’t Dance, para decepção de alguns, indiferença de outros e, ironicamente, sucesso de vendas.

Sally Can’t Dance and I can’t hear. Uma ou outra faixa como “Ride Sally Ride” até passa (apesar dos coros insuportáveis), mas “Animal Language” deixou bastante a desejar. De onde saiu a inspiração para descrever a morte do cachorro de Miss Riley com um tiro na boca ou do gato de Miss Murphy, com um coágulo?

Até parece que o Lou fez o disco “nas coxas”. Parece… porque foi exatamente o que aconteceu. “Eu não queria fazer Sally Can’t Dance de maneira alguma. Eu gravei todos os vocais em um único take, em 20 minutos, e dei adeus. Eles me pediram algumas canções mais dançantes e eu dizia que não sabia fazer isso”. Deu para perceber. Têm faixas nesse CD que de tão calmas poderiam ser usadas como canções de ninar.

Apesar disso, e para desespero de Reed, o CD foi um sucesso, ficando entre os 10 mais vendidos (fato único em sua carreira até então). “Parece que quanto pior fico, mais vendo. Se eu não aparecer no próximo disco, provavelmente chegarei ao número 1! Ele ficou entre os 10 mais sem canção nenhuma de trabalho!”, disse Lou na ocasião.

Sally Can’t Dance
Ano: 1974
Gravadora: RCA Records

1) Ride Sally Ride
2) Animal Language
3) Baby Face
4) N.Y. Stars
5) Kill Your Sons
6) Ennui
7) Sally can’t dance
8) Billy
9) Good Taste