Arquivo da categoria: raio-x

Apanhador Só lança CD homônimo com sons pouco convencionais

Banda Apanhador Só. Foto: Rafa Rocha

[Natasha Ramos] Em meio a um punhado de bandas fabricadas em série, uma ou outra consegue se destacar no cenário independente, oferecendo uma proposta sonora interessante e única (ou o mais próximo que se pode chegar disso, atualmente).

É o caso da Apanhador Só, banda gaúcha daquelas que não dá para se ouvir apenas uma vez. Desde que minhas mãos tocaram o CD de estreia perdi a conta de quantas vezes o escutei.

A primeira vez que os vi foi há algumas semanas no show que realizaram no Tapas Club (R. Augusta – São Paulo). Chamou-me a atenção o som particular que saia das caixas de som e me atingia em cheio. Seria rock com pitadas de música brasileira ou música brasileira com nuances roqueiras? Difícil definir.

O Palco Alternativo conversou com a banda para conhecer um pouco mais do trabalho dos caras. O Raio-X da Apanhador Só, você confere a seguir.

Início e nome

A banda com o nome “Apanhador Só” existe desde os tempos de colégio, conta o guitarrista Felipe Zancanaro. Mas, o marco inicial foi o ano de 2006, quando lançaram o primeiro EP, intitulado Embrulho Pra Levar.

“Conta-se que para inscrever a banda em um concurso do colégio, o Marcelo Souto (integrante da formação colegial/inicial da Apanhador) teve que inventar esse nome às pressas na última hora e sair correndo com a ficha de inscrição para entregar a tempo. Eu não estava lá e ele se recusa, mesmo sob tortura, a contar detalhes de como se deu a criação do nome”, conta Felipe.

Além de Zancanaro, completam a formação da banda Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martins Estevez (bateria).

Músicas

Definir o som da Apanhador é uma tarefa difícil. Ao longo do CD homônimo, lançado no dia 21 de abril, no Teatro Renascença, em Porto Alegre (RS) —e disponibilizado para download no site http://www.apanhadorso.com— , o máximo que se pode dizer é que é um disco de rock, voltado para ritmos brasileiros.

“Gostamos de ter liberdade para levar nossa música na direção que achamos interessante na hora, sem nos prender muito. Flertamos com tudo que passa pela nossa frente, do tango ao baião”, comenta Felipe.

Produzido de forma independente, o CD Apanhador Só teve o financiamento do FUMPROARTE, Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre.

Para um CD independente, é visível o profissionalismo e capricho com que foi feito. Desde a concepção gráfica: a direção de arte e a ilustração da capa, que ficou a cargo de Rafa Rocha, e as ilustrações dos cartões do encarte (o CD vem com cartõezinhos que podem ser editados ao gosto de quem os estiver manuseando), de autoria de Fabiano Gummo; até a produção musical que ficou por conta de Marcelo Fruet. O disco ainda contou com a colaboração do poeta gaúcho Diego Grando, do compositor Ian Ramil e Estevão Bertoni, vocalista da banda Bazar Pamplona.

Além desse álbum, a banda leva na bagagem dois EPs: o primeiro, já citado Embrulho Pra Levar, de 2006, e o segundo, de 2008, apelidado carinhosamente pelos integrantes de “EP Verde”.

Instrumentos inusitados

Uma curiosidade da Apanhador Só é o fato de, além dos instrumentos convencionais (bateria, guitarra e baixo), nas músicas, é possível detectar outros elementos “musicais” inusitados.

“Boa parte das músicas do disco tem o que a gente chama de ‘percussão sucata’. A Carina Levitan se encarregou delas quando veio de Londres, onde mora agora, para Porto Alegre”, conta o guitarrista.

Assim, ao longo do disco homônimo é possível encontrar sons de máquina registradora e projetor de filme, como na faixa “Um Rei e o Zé”; em “Pouco Importa”, Carina toca grelha de churrasco; em “Maria Augusta” tem pato de borracha, panela, chave de roda, sineta de recepção e apito; “Peixeiro” são interruptores de luz e sons eletrônicos; “Bem-me-leve” tem roda de bicicleta (a que está na capa do disco) e sineta de recepção; em “O Porta-retrato”, furadeira; “Balão-de-vira-mundo” traz balão de aniversário; “Jesus, o Padeiro e o Coveiro” tem som de lata de rolo de filme e sineta de recepção; em “Origames Over”, fita adesiva, grampeador, papel rasgado e panela; “Vila do ½ dia” tem sacola plástica; e, finalmente, “E Se não Der?” tem som de móbile de chaves.

A ideia de inserir esses “instrumentos” nas músicas surgiu na casa de Alexandre, antes mesmo de ele entrar na banda. “Naquela época, os integrantes ensaiavam na garagem dele e lá tinha uma porrada de cacaredos de todos os tipos. Em um improviso, eles começaram a bater de lá, arranhar de cá, chutar ali, amassar aqui e gostaram do resultado. Daí foi só desenvolver a idéia, encontrando os espaços certos para cada bugiganga e transportar o aparato todo para os shows. Hoje em dia, por sermos um quarteto, levamos só a bicicleta para o palco e fico encarregado e toca-la”, conta Felipe.

Shows e Futuro

No histórico de apresentações, a banda coleciona lugares como o MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro, abrindo o show da Maria Rita, juntamente com outras duas bandas vencedoras do festival da gravadora Trama. Recentemente, estiveram na Feira Música Brasil – Circuito Off, em Recife, e também já tocaram em diversas casas pelo interior e capital do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Presidente Prudente (SP) e Florianópolis (SC).

Com o lançamento do álbum, a banda pretende investir na promoção do disco. “Neste ano, pretendemos seguir divulgando o disco, fazer o maior número de shows possíveis e, provavelmente, gravar algum videoclipe de alguma música do disco”, comenta.

http://www.myspace.com/apanhador

www.apanhadorso.com

Kiko Dinucci: para todo os lados a arte sopra

[por Andréia Martins]

Músico que faz cinema. Artista-plástico que canta. Violão que desenha. Cineasta que versa. Imagens que compõem música. Arte soprando para os quatro cantos no chão de São Paulo.

Assim como o nome da canção de Lenine, Todas elas num só ser, todos ‘eles’ descritos acima resumem-se a um só: ao compositor e músico Kiko Dinucci.

“Tanto a música com a arte como um todo geraram muita solidão e ainda é assim. Comecei sozinho, mas com o tempo fui achando os meus iguais e aprendendo muito com eles, cada pessoa com quem eu toco é uma universidade (no bom sentido) pra mim. Gosto de trocar. É muito rico você poder se comunicar com pessoas de diferentes  nacionalidades e etnias,  e credos, chega a ser divino o dom que o ser humano tem de se comunicar com arte”, diz em entrevista ao Palco Alternativo.

E é assim que Kiko se comunica: por meio de imagens, sons e palavras. Hoje, além das diferentes formas de arte, Kiko se divide entre diferentes projetos na música: além de compositor e músico, divide com Douglas Germano as criações trágicas e cômicas do Duo Moviola, integra o Bando AfroMacarrônico, com o qual lançou o disco  Pastiche Nagô,em 2008, e faz uma sólida parceria com a cantora Juçara Marçal, com a qual gravou o álbum Padê, e, mais recentemente, no final de 2009, lançou o disco Na Boca dos Outros.

Assim como em outros trabalhos, o disco reforça a boa parceria de Kiko com a cantora Juçara Marçal. “Juçara, pra mim, é a maior cantora que conheço. O que interessa pra ela é arte, não glamour, ser a cantora da mídia, nada disso. É só ver a postura dela no palco, é um compromisso direto com a arte, o resto que se exploda. Ela no palco vai se transformando, começa a crescer e encosta a cabeça no teto. O disco Padê foi o nosso primeiro trabalho, foi o som que moldou tudo o que viria na sequência, os elementos da cultura africana e tudo mais. Estamos pra gravar um novo CD chamado Metá Metá, em parceria com Thiago França”, conta Kiko.

Na Boca dos Outros

CD Na Boca dos Outros: "músicas antigas, tinham teias de aranha", brinca Kiko

“O disco novo só tem meu nome mas não é solo. Quase todos meus discos levam meu nome, ou com a Juçara Marçal, ou Bando AfroMacarrônico. Todos tem a minha presença mas nenhum deles é 100% solo. Em todos a parceria é fundamental, isso fica ainda mais gritante com o Duo Moviola, com a presença do Douglas Germano. Trabalho sempre com parcerias, sejam elas com compositores, produtores ou músicos”, diz.

Para este trabalho, composto de 14 faixas, Kiko se cercou de diferentes cantores e cantoras como Fabiana Cozza, Maurício Pereira, Bruno Morais, Juçara Marçal, entre outros, cruzando ritmos brasileiros e africanos em uma linguagem voltada para o samba.

“As músicas do Na Boca dos Outros são muito antigas, a maioria de quase 10 anos atrás. O que eu fiz foi tirar da gaveta, deixar os novos arranjos determinantes no aspecto criativo e chamar as pessoas que tinham a ver com cada faixa. O fato de uma outra pessoa cantar daria uma roupagem nova a mais a essas velhas canções”. Para ouvir: http://www.myspace.com/kikodinucci.

Entre tantos lados, o lado A – Afro – de Kiko

Kiko é muitos. Já foi hardcore ao assumir a guitarra em uma das mais importantes bandas do hardcore paulista, o Personal Choice, em sua cidade natal, Guarulhos.  Aí trocou a guitarra pelo violão, e mergulhou no samba, na sua brasilidade, no seu lado afro.
“Meu interesse pela cultura afro veio no dia em que eu me olhei no espelho e falei pra mim mesmo: sou preto, no Brasil todo mundo é preto, seja sua pele clara ou escura, então vou atrás da minha história. E fui atrás da minha memória ancestral e descobri meu ancestral mais antigo, que é meu Orixá Logun Edé. Mergulhei num mar de informação infinito”.

Desse mergulho saiu o documentário Dança das Cabaças, dirigido por Kiko, um retrato poético sobre a paradoxal divindade Exu e as formas como o brasileiro vê esse personagem que, na África, era caracterizado como o princípio da vida.

O filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Assista ao filme em http://www.dancadascabacas.blogspot.com.

Identidade pessoal descoberta, na música, Kiko parece não ter dúvidas de quem é. Apesar de reconhecer outros elementos, especialmente ritmos afros, na sua música é tudo samba. “Posso compor um thecno brega  que no fundo vai ser um samba, só sei fazer assim, graças a Deus”.

Raio-X: Conheça a bossa’n’roll da Bicicletas de Atalaia

 

Bicicletas de Atalaia

[Natasha Ramos] Com pouco menos de um ano de existência, a banda Bicicletas de Atalaia já leva na bagagem um CD Demo e se prepara para lançar um EP com faixas inéditas no final de maio. Dentre as apresentações, duas foram no Projeto Cedo e Sentado, do Studio SP —e em uma dessas vezes o show foi anunciado no programa do jornalista Gilberto Dimenstein, na CBN. Além disso, a Bicicletas saiu na revista Guitar Player como um dos 10 destaques do MySpace, devido à música “Insomnia”, resenhada e elogiada pelo veterano guitarrista Ciro Visconti. Confira o Raio-X da banda.

Integrantes, influências e nome 

A Bicicletas de Atalaia saiu da cabeça dos irmãos Leo e Bruno Mattos, depois do término da banda Rockassetes, da qual faziam parte. O que começou como um projeto na metade de 2009, foi se consolidando como banda após a entrada dos outros três integrantes, que completaram a formação.

“Desde o fim da Rockassetes, Leo e eu já estávamos trabalhando as músicas da Bicicletas, criando arranjos e pensando no conceito do trabalho. Nesse período, estávamos estudando numa escola de música aqui em São Paulo e foi lá que conhecemos toda a rapaziada. Na verdade, o Renan (Sax/Flauta) já havia tocado conosco, fazendo algumas participações na Rockassetes, o Kaneo (Guitarra) e o Ilya (Baixo) conhecemos depois”, explica Bruno Mattos ao Palco Alternativo.

A Bicicletas nasceu em São Paulo, mas, com exceção de Ilya, os integrantes vieram de outras cidades: os irmãos Mattos são de Aracaju (SE), mas se mudaram para a Pauliceia em 2005, Renan, de Bragança Paulista (SP), mora na capital desde 2009, e Kaneo, apesar de ter nascido no Rio, mora aqui “desde sempre”. 

O nome da banda, eles explicam, “veio da influência da nossa cidade, Aracaju, cuja praia mais famosa é a Praia de Atalaia, e do desenho As Bicicletas de Belleville, que nos influenciou muito no começo, desde a estética aos direcionamentos musicais. Além disso, ‘Atalaia’ também significa ‘ficar de olho’, ‘de tocaia’, ‘observar’, o que dá uma curiosidade legal ao nome”, explica Bruno.

Músicas, vídeos e shows 

Assim como a origem dos integrantes, as inspirações musicais da banda são bem diversas. “Ouvimos quase tudo, de jazz à música pop. Para citar influências diretas na hora de compor: Belle & Sebastian, João Gilberto, Caetano, Novos Baianos, Beatles, Blur, Jorge Ben, Los Hermanos, Wilco e por aí vai.”

O resultado desse caldeirão é claramente notado nas músicas da Bicicletas. Com um pé na bossa-nova e o outro no rock’n’roll, eles tocam uma espécie de “bossa’n’roll”, com músicas mais calmas, vocal suave e linhas de guitarra mais acústica, temperadas ao som de flauta e sax. Com pouco menos de um ano de vida, a Bicicletas já tem um CD demo gravado com 5 faixas que podem ser conferidas no MySpace e Tramavirtual —onde também é possível baixar as músicas. Eles entraram em estúdio novamente para gravar mais 5 faixas que devem entrar no EP homônimo, com lançamento previsto para final de maio.

Dentre as músicas, destaque para “Diga-lhe que mando a meia” —com a qual foram classificados, em fevereiro de 2010, para o 17º Festival de MPB de Certame da Canção do Conservatório de Tatuí— e “Alcoholic Dreams” —cujo videoclipe, dirigido por Rafael Costello (ex-Rockassetes), pode ser conferido aqui.

Além deste, a banda fez alguns vídeos em stop motion, com produção de Leo Mattos. “A intenção é melhor divulgar nossos shows por meio desses curtas (geralmente de 1min30s) de uma maneira divertida”, explica.

Além da recente apresentação no Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos” de Tatuí, a Bicicletas já tocou no Studio SP, Clube Berlin, Livraria Cultura e Casa do Mancha. “O próximo passo é buscar os festivais independentes Brasil afora, que são fantásticos para intercâmbios entre bandas e mídia especializada”, conta Bruno.

 

Quarto Negro: quatro rapazes, melancolia anticlichê, gretsch guitars e por aí vai

[por Andréia Martins]

Quarto negro. Pode ser qualquer coisa. Em uma rápida busca no Google, você vai descobrir que pode ser desde nome de música de Amado Batista ou Leandro e Leonardo até um simples quarto sem luz.

Por aqui, estamos falando mesmo é da banda Quarto Negro, formada por Eduardo Praça (vocal, guitarra e piano, ex-Ludovic), Fabio Brazil (baixo e voz), Thiago Klein (piano) e Diogo Menichelli (bateria). O nome não surgiu de nenhuma das influências acima ou de um apagão, como conta Praça.

“O nome surgiu de um documentário que assisti sobre a vida do Johnny Cash, do qual, em um capítulo da sua carreira, tomado por sentimentos extra-naturais, ele acabou por pintar um quarto de hotel inteiro de preto, movéis, parede, tudo. Aquilo me deixou tão interessado que surgiu a ideia. Às vezes, enxergam isso como uma manifestação depressiva ou algo do tipo, mas sempre me identifico com a expressão de liberdade e espontaniedade do caso”.

Se dependesse do som, dificilmente você diria que o Quarto Negro é uma banda brasileira. Nitidamente influenciados pelo jazz, blues e melancolia – mas sem soar deprê -, a banda surgiu em 2007 e, depois de dois EPs, é dela um dos discos nacionais mais esperados de 2010.

Os motivos são simples: uma sonoridade cheia de personalidade e mais denso, combinando guitarras, piano, metais e letras que falam de relacionamenos, perdas, e por aí vai, e Praça que, ex-integrante do Ludovic, já tem uma legião de fãs prestando atenção nos seus próximos passos.

Inicialmente, o Quarto Negro era uma banda de um homem só (Praça). Uma temporada ao lado de Klein em Nova York começou a dar novos rumos à banda. Na sequência, um convite irrecusável de um amigo, cineasta, para compor uma música tema – Zoroastro – e, tempos depois, o Quarto Negro já não era uma banda de um homem só.

“Nunca foi opção iniciar e tocar as coisas por conta própria. Em determinado momento, artísticamente, essa me pareceu a solução mais viável, mas não tardou pra perceber que a soma de pessoas só enriqueceria as coisas. Hoje em dia, posso dizer que tenho como companheiros, pessoas especiais e muito agregadoras. Seguramente, devo muito desse momento ao Thiago, Fabio e Diogo”, conta Praça em entrevista ao Palco Alternativo.

Toda a busca por algo novo e mudança do passado com o Ludovic, precisou de um tempo para Eduardo assumir outro projeto, o que as temporadas em NY e San Telmo, em Buenos Aires, ajudaram bastante. Nas palavras do próprio Praça, não era algo que faltava, mas que estava mal assimilado:

“Na verdade, acho que tinham coisas até demais. Os novos ares, serviram mais pra me desvincular, do que pra agregar, por incrível que isso soe. As pessoas se apegam muito ao fato da idéia de fugir buscando novas coisas pra si, quando na verdade, você precisa mesmo é de um tempo pra desfazer o nó todo que estava feito” , conta ele, sem deixar de lado toda a bagagem do Ludovic.

“Devo muito, talvez quase tudo, ao anos que passei com o Ludovic. Se existiram pessoas que me ajudaram e me formaram, como músico e compositor, foram eles. Não me canso de mencionar, que as coisas aconteceriam de forma muito mais devagar sem essa experiência musical e espiritual”.

Fora do Brasil

Além de vigor, a temporada no exterior trouxe novas experiências para a banda. “O fato de estar lá com o rosto aberto de forma tão contundente nos colocou em um patamar acima, definitivamente. Embora toda a barreira linguística e aspectos culturais terem movido menos do que eu imaginava, o fato de estar entregue há algo que apenas você acredita e entende, mexe mais com as pessoas do que qualquer interpretação fictícia do que você gostaria de ser”, diz Eduardo sobre os shows nos EUA.

A identificação do público talvez deva-se ao fato de que a música do Quarto Negro tem algo do rock alternativo feito lá fora, mais do que influências brasileiras. Ouvindo, a sensação que se tem é de que a música soa perfeita par a fog londrina ou para os dias nublados de Sampa.

“Não chega a ser algo que a gente discorde plenamente, mas não sei até que ponto nos vemos influenciados por algum clima que não nos pertence, seja lá londrino, porteño ou algo do tipo. Desde que me juntei aos meninos, sempre esperamos essa recepção de público/imprensa apontando a melancolia, mas nunca foi algo que procuramos ou que realmente acreditávamos, as coisas surgiram de forma natural e involuntária”, diz Praça.

EPs e próximos passos

Deposi do EP Zoroastro, uma das músicas mas impactantes do grupo, o Quarto Negro recrutou um time de peso para o EP seguinte,  Bom dia lua:  Chuck Hipolitho e Kevin Nix.

Praça conta que a parceria com Chuck já estava programada mas as agendas adiaram um pouco o encontro, que só foi acontecer no final de 2009. Com relação ao Kevin, “o Fabio, quando morou nos Estados Unidos, fez uma amizade, que por ironia e sorte do destino, dias antes da masterização no Brasil, nos levou aos engenheiros do estúdio em que o Big Star costumava trabalhar em Memphis. O contato foi rápido e produtivo”.

Uma das diferenças entre os EPs é a presença do piano de Thiago, que ganhou mais destaque nas canções no segundo EP, aumentando, de certa forma, o tom melancólico das canções.

Quanto ao próximo disco, Eduardo não dá muitos detalhes, mas por algumas entrevistas que tem dado, pode-se imaginar que os meninos pretendem dar um passo à frente, a exemplo do que fizeram nos dois EPs.

“Estamos em processo de composição. Pra ser sincero, esse assunto é tratado com muita ansiedade e expectativa. Estamos transbordando pra ter esse disco em mãos. Não temos os maiores detalhes do mundo pra dar, mas podemos adiantar que ele sai ainda em 2010, e que a gravação não deve ser feita no Brasil”.

Para ouvir, acesse: http://www.myspace.com/quartonegro.

Raio-X: Hey Hey Hey São os Garotas Suecas

[Natasha Ramos] Os paulistanos da Garotas Suecas tocam um “rock’n’roll barato total”, com forte influência musical do que fazia a turma da Jovem Guarda, na década de 60. Em 2008, eles ganharam o prêmio Aposta MTV do VMB. Foram mencionados em publicações como o New York Times, Time Out e na revista SPIN. A banda já fez quatro turnês pelos Estados Unidos e uma apresentação na Austrália. E agora, foram convidados mais uma vez para tocar no festival SXSW, no Texas. Já ouviu falar deles? Então, confira o Raio-X com a banda.

Início em duas versões

Tive a oportunidade de entrevistar o baterista Antônio “Nico” Paoliello duas vezes. Uma, quando ainda trabalhava no Virgula, em meados de 2008, e outra há algumas semanas. Ironicamente, ele me deu duas versões para como os integrantes se conheceram e resolveram montar a banda. O que coincide, no entanto, é o ano de formação do GS: 2005.

“Perdido [Fernando Machado, baixo/voz] conhecia Sal [Guilherme Saldanha, voz], que conhecia Tommy [Tomaz Paoliello, guitarra e voz], que é irmão de Nico e conhecia Sesa [Sérgio Sayeg, guitarra/voz], que saiu da banda para seguir carreira militar. A Irina [Chermont, piano/teclado] ninguém conhecia, pusemos um anúncio no jornal procurando uma garota loura, sueca e que tocasse teclado. Eis que apareceu uma”, contou há cerca de dois anos.

Já, desta vez, quando voltei a fazer a pergunta, ele respondeu: “O Perdido acabou me conhecendo numa sala de bate-papo e, por coincidência, nós dois tínhamos acabado de sair de nossas respectivas bandas. Depois de algumas semanas fazendo ensaios de “cozinha”, o perdido me apresentou o Saldanha, que veio tocar gaita em nosso projeto e, mais tarde, tornou-se o vocalista. Foi ele mesmo que nos apresentou a Irina. Quando já estávamos tocando, vimos que precisávamos de guitarras. O Sesa conhecia o Tomaz e já tinham tocado juntos. O primeiro dia em que nos encontramos foi em uma festa funk (norte americano) e lá marcamos nosso primeiro ensaio”, explicou em sua mais recente versão.

Qual das duas versões é a correta? Não importa. O que importa são as músicas. O “rock’n’roll barato total”, como eles mesmos definem o som da banda, tem influências, entre outros, de Sly & The Family Stone, Rolling Stones, Mutantes, Gal & Os Brazões, The Meters, Curtis Mayfiled e, claro, Roberto Carlos, em sua fase dourada.

Músicas

A banda leva três Eps na bagagem: Hey Hey Hey são os Garotas Suecas (2006), Difícil de Domar (2007) e Dinossauros (2008). “Estamos gravando nosso primeiro disco (Long Play) para assim o ouvinte pirar no som dos Garotas Suecas por mais de cinco canções”, comenta Nico.

[Curiosidade: A faixa ‘Não Espere Por Mim’, presente no Difícil de Domar, foi gravada nos estúdios da Trama, dentro do programa Radiola, no bloco ‘Doze horas no estúdio’.]

Segundo Nico, as músicas mais pedidas durante os shows são “Codinome Dinamite”, “Acho que Estou me Tornando um Zumbi”, “Banho de Bucha” e “Olhos da Cara” —as duas últimas serão lançadas no disco.

Shows

Eles costumam tocar em casas de shows alternativas e em festivais de bandas independentes. Recentemente, o Garotas fez uma apresentação no SESC Vila Mariana, para um público mais familiar, que os ouvia sentados em suas poltronas.

“É engraçado, mas para esses shows, nós temos espaço para fazer uma abordagem um pouco diferente da de shows em inferninhos e clubes (antes) enfumaçados. Podemos nos concentrar mais em timbres e dinâmicas diferentes, assim como set lists”, comenta o baterista.

No mês de março, a banda rumou para o festival texano South by Southwest (SXSW) e se apresentou em outras cidades dos EUA. “O festival é gigante e pessoas do mundo todo vão para Austin para ouvir coisas novas, fazer contatos, etc. O público da ‘gringa’ reage de um jeito diferente, talvez por não entender a letra ou pela ginga brasileira que querendo ou não nós temos. Por isso é sempre legar ver a gringolândia balançar o esqueleto de forma nada engonçada”, conta.

A agenda da banda e as músicas podem ser conferidas no MySpace da Garotas Suecas (www.myspace.com/garotassuecas)

Os planos para esse ano se resumem basicamente a lançar o disco completo e sair tocando onde der. “Queremos continuar dando shows pelo Brasil e EUA e outro continente à sua escolha”.

As várias faces de Mônica Agena: guitarrista do Natiruts mostra seu lado rock no Moxine

 

 

O Moxine: Caju (bateria), Hagape Cakau (baixo) e Mônica Agena (voz e guitarra)

 

[por Andréia Martins]

Até onde pode ir a influência de um amigo? Bom, no caso de Mônica Agena, bastou ver um amigo surfista tocando uns hits do Raul Seixas no violão para a música bater à sua porta.

“As coisas foram acontecendo, quando percebi, estava trabalhando com música. Não tenho músicos na família, minha primeira referência foi um amigo surfista, que apareceu tocando os hits do Raul Seixas no violão. Aprendi a tocar com ele e me apaixonei pelas cordas. Um ano depois, ganhei de meu pai a primeira guitarra, uma Fender strato japonesa”, conta Mônica ao Palco Alternativo.

De lá pra cá, anos depois e algumas guitarras a mais (2 Tagimas, 1 Giannini, 1 Fender Strato e 1 Gibson Standard), Mônica, atual guitarrista do Natiruts, já fez de tudo um pouco na música. Deu aulas, já tocou em uma banda de covers, a Sky Funky Band, que tocava black music e disco, e em outra, o Krepax, e ainda desenvolveu um trabalho instrumental, sem contar a parceria com a banda brasiliense. Mas agora, com a sua banda, o Moxine, ela mostra seu lado rock.

“O sonho de ter uma banda de rock sempre existiu pra mim, acredito que a maioria das garotas e garotos começam a tocar motivados por esse sonho ou pela simples vontade de tocar uma música que gosta. Não acredito que a profissão seja uma inspiração pra moçada, pelo menos não no começo. Eu vivo esses dois universos, o profissional e o artístico. Tocar com diversas bandas me deu muita experiência profissional e amadurecimento na parte artística. Mas ter uma banda de rock, mesmo sendo encarado muitas vezes, por mim mesma, como um algo romântico demais, foi o que me motivou a tocar”.

Apesar do instrumento escolhido por ela ser mais tocado por homens do que mulheres, Mônica disse que isso nunca foi um problema. “Por esse lance de mulher tocando ser mais difícil de se ver, as pessoas acabavam querendo usar isso como um ‘diferencial’ em suas bandas, o que não deixa de ser um tratamento diferente por ser uma garota tocando. Como eu era uma menina um pouco radical, queria provar tudo pela minha capacidade de tocar, acabava me incomodando um pouco com esse apelo”.

O início do Moxine

Uma dos projetos musicais de Mônica, o Krepax, durou de 2005 a 2008. Além da guitarrista, a banda era composta por Dionisio Neto (vocal), Hagape Cakau (baixo) e Nana Rizinni (bateria). Quando o grupo se dispersou, começou a nascer o Moxine.

Ao lado das parceiras Nana e Hagape, Mônica deu início à brincadeira, como ela mesmo diz, e gravou o single I Wanna Talk About You, uma faixa que funciona muito bem como cartão de visitas da banda. Mostra a vibe electro pop da banda, um riff gostoso de acompanhar e bater o pé, daquelas músicas que você ouve e já se mexe.

Essa mudança de posição, com Mônica assumindo o microfone, cheia de atitude e sensualiade, deixou muita gente surpresa.

“Pode ser que tenha sido uma surpresa, mesmo para as pessoas próximas de mim, pois foi tudo muito rápido, nunca havia gravado nem me apresentado em shows cantando. I Wanna Talk About You foi a primeira experiência. Apenas tocar guitarra é muito prazeroso, mas quanto mais formas você tem de se expressar, mais formas você tem de acessar as pessoas. Por isso o lance de cantar e escrever, veio da necessidade de me comunicar”, conta.

O 1º EP

O primeiro EP do Moxine, Electric Kiss, saiu em (2009). Produzido por Rique Azevedo, traz quatro faixas:  I Wanna Talk About You, Electric Kiss, Good Choice e Out of Sight. “Componho e tenho muitas músicas guardadas, mas as composições do Electric Kiss  eram todas frescas, compostas e arranjadas pouco antes de gravarmos”, diz Mônica.

I Wanna Talk About You ganhou um clipe bem divertido, com muitas referências à estética dos videoclipes dos anos 80 ( repare no visual das meninas, nos objetos – aquele gravador e a fita cassete que você tanto sente falta – e no local da gravação), o que segundo ela, foi algo bem sem querer.

“Imagine um grupo de amigos com uma camera na mão, cada um contribuiu com o seu talento, figurino, direção de arte, etc. Foi assim que gravamos!”, comenta Mônica. Para o vídeo, gravado no brechó Túnel do Tempo, na Vila Mariana, o Moxine contou com Mauricio Eça na direção, Toni Pereira na direção de arte, Alexandra Fernandes no figurino, Stella Fernandes na maquiagem e Tony Tiger na edição.

O próximo clipe já tem música escolhida: Eletric Kiss. Com direção de Marina Quintanilha, o clipe deve ser lançado em março. Além disso, a banda também já está pensando em lançar um dico. “A maneira descompromissada de lançar clips, músicas, EP, traz uma sensação libertária muito inspiradora, mas eu vejo que o lançamento de um disco representa um marco na trajetória dos artistas. Com tanta liberdade, fica dificil decidir o próximo passo, mas estamos tendendo a lançar um LP”.

Participação no SXSW

Os brasileiros estão virando arroz de festa no festival South by Southwest, em Austin. E o Moxine já está arrumando as malas para se apresentar por lá, em março. Além de tocar para diferentes públicos, o festival é também uma conferência com mais de 4 mil empresas registradas, ou seja, uma boa oportunidade para novos contatos.

“Estamos preparando algo bem legal em parceria com um patrocindor, vamos divulgar a ação em março. Além de ser a nossa primeira apresentação internacional, é a primeira fora de São Paulo! Imagine, estamos bem ansiosos!”. A gente pode imaginar.

Para ouvir: www.myspace.com/moxine

Muito além do folk: os doces versos de Juliana R.

[por Andréia Martins]

Juliana R. será colocada, por muitos, na lista de novo artistas folk, mas ela vai além disso. De Sorocaba, interior paulista, direto para a capital, aos 20 e poucos anos ela vem conquistando, devagar, seu espaço na cena alternativa com doces letras autorais, simples, misturando idiomas e brincando com o jeito de cantar. Personalidade na voz, talvez seja essa a grande diferença de Juliana entre tantas novidades.

Um aperitivo do som de Juliana R. (abreviação de Rodrigues, para os mais curiosos) está disponível no site oficial da cantora (http://www.julianar.com). Nas 4 faixas, que integram o primeiro EP dela, lançado em 2008, podemos ver que as influências vão além do folk, com cada uma ganhando um clima bem diferente da outra. Um mix de sensações, seja na animada El Hueco, a romântica Since I’Ve Meet You, e a balada matadora If You Could See Me Now.

E enquanto ela brinca, tentando fugir das classificações musicais, se definindo ora como romântica, ora como experimental/latino (vide o My Space dela: http://www.myspace.com/juliana.r), podemos dizer que, apesar da brincadeira, pitadas de todos esses gêneros estão nas músicas.

O jornal O Globo colocou o nome dela na lista dos 10 artistas que prometem bombar em 2010. A previsão tem tudo pra se concretizar. Confira abaixo a entrevista que Juliana concedeu ao Palco Alternativo.

Você se lembra de quando escreveu ou rabiscou sua primeira música?
Juliana R. – Lembro sim. Eu tinha uns nove anos e era fã das Spice Girls. Meu pai deve ter guardado, haha.

Como você descobriu que música era o que você queria? Você era do tipo que tinha banda no colégio?
Juliana R. -Não lembro exatamente, mas quando era bem criança gostava de ficar cantarolando. Certa vez eu cantei num karaokê e gostei da experiência, acho que foi bem por aí. Depois com uns doze anos eu conheci as bandas independentes e me empolguei pra começar a tocar. Sempre gostei de compor, era uma forma de fugir daquela coisa chata de ter que ir pra escola, pois lá não aprendia coisas que queria.

Você do interior de Sampa, o que a fez vir pra cá? E, tudo está saindo como – ou quase como – você imaginou?
Juliana R. – Não tinha afinidade musical com muita gente na cidade em que morava, então decidi me mudar pra encontrar pessoas que compartilhassem das minhas ideias. Fora isso, em São Paulo tem muito lugar pra tocar, o que não acontece no interior, infelizmente. Por aqui tá tudo correndo bem, mas é difícil e eu ainda não sei exatamente o caminho pra se viver de música, mas acho que as coisas vão se acertar em breve pra todos que estão nesse meio. Estou otimista.

Você canta em português, inglês, espanhol, participou do “les provocateurs”, homenagem a artistas franceses… Como é essa brincadeira de idiomas, há coisas que você prefere dizer em uma língua do que eu em outra?
Juliana R. -Fiz músicas em vários idiomas mais por experimento mesmo, queria ver como ficariam. O legal é que a forma de colocar as palavras e a sonoridade muda conforme o idioma escolhido. Não dá pra cantar uma música em português se ela soa como uma música em inglês e por aí vai. Gosto também da parte da tradução, mas o próximo disco provavelmente será todo em português.

Aliás, como foi participar do Les Provocateurs? Qual a influência do Serge Gainsbourg na sua música?
Juliana R. -Foi a coisa mais legal que eu fiz! Quando vi a exposição e percebi que iria fazer parte daquilo, fiquei muito feliz. Nunca achei que um dia poderia cantar músicas que foram interpretadas pela France Gall e Françoise Hardy, foi muito prazeroso. Depois do Les Provocateurs, o Gainsbourg sem dúvida virou uma grande influência pra mim, pois tive um contato maior com suas músicas. Ele era inquieto e um grande compositor.

Uma coisa que me chamou atenção foi a sua voz, o jeito diferente com que você intepreta cada uma delas. Ora de um jeito meio debochado, em El Hueco, outra de um jeito mais denso e arrastado em Since I’ve Met You, o modo quase soletrado de Longe, enfim, a sonoridade das palavras é também algo forte na sua música.
Juliana R. -Sim, a interpretação sempre muda de acordo com a música, não dá pra cantar todas como se eu falasse da mesma coisa, por mais que os temas sejam parecidos. Antes eu não prestava muita atenção em como as palavras eram colocadas, cantava conforme eu ouvia a melodia na minha cabeça, agora tomo mais cuidado porque a voz não deixa de ser um instrumento também.

Queria que você falasse um pouco da canção El Hueco. Ela entrou nas coletâneas da revista Soma e do Grito e é uma das que mais faz sucesso no seu MySpace. Em que momento você a compôs e por que em espanhol?
Juliana R. -Certa vez um amigo me mandou um áudio que falava sobre o Cortázar e no final tinha uma pequena entrevista. Pensei que ficaria bom numa música, peguei o violão e comecei a cantar em cima do que tinha tocado. Na época eu tava lendo um livro que chamava “El Túnel”. Daí vem o nome.

Você escalou o Fábio, tecladista do Mamma Cadela, para produzir suas músicas. A banda tem um estilo bem versátil, reunindo influências que vão desde o rock psicodélico dos anos 70, ao jazz, ao trip hop. O que ele trouxe para a sua música e como rolou essa parceria?
Juliana R. -Muita gente passa em casa e acaba esquecendo coisas, foi aí que encontrei um cd do Mamma. Gostei muito da sonoridade e acabei entrando em contato com a banda. Acho que o Fábio deu uma visão de ouvinte, o que foi muito importante na gravação das músicas.

Você está finalizando as músicas para o disco ainda? Como está esse processo?
Juliana R. -O disco tá pronto desde set/09, mas todo esse tempo eu tava enrolada vendo como faria para lançá-lo e acabei me atrapalhando com outras coisas também. Como achei que dezembro não era um mês legal pra lançamento, acabei deixando pra esse ano e assim eu poderia resolver as coisas com mais calma. Agora só falta mandar pra fábrica.

Você tem feito shows em diversos lugares aqui em Sampa. Como estão seus planos para tocar fora daqui? Algum festival em vista?
Juliana R. -Vou esperar o disco sair pra ir atrás disso, porque aí fica mais fácil pra arrumar shows e eu terei o disco ali na mão. Por enquanto, nenhum festival em vista, mas pode me chamar que eu vou.

E, pra encerrar, o que você achou de integrar a lista do jornal O Globo dos cinco artistas que prometem bombar em 2010?
Juliana R. -Achei engraçado e fiquei feliz que tem gente que gosta da minha música. Tomara que 2010 seja um ano bom mesmo!