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Quarto Negro: quatro rapazes, melancolia anticlichê, gretsch guitars e por aí vai

[por Andréia Martins]

Quarto negro. Pode ser qualquer coisa. Em uma rápida busca no Google, você vai descobrir que pode ser desde nome de música de Amado Batista ou Leandro e Leonardo até um simples quarto sem luz.

Por aqui, estamos falando mesmo é da banda Quarto Negro, formada por Eduardo Praça (vocal, guitarra e piano, ex-Ludovic), Fabio Brazil (baixo e voz), Thiago Klein (piano) e Diogo Menichelli (bateria). O nome não surgiu de nenhuma das influências acima ou de um apagão, como conta Praça.

“O nome surgiu de um documentário que assisti sobre a vida do Johnny Cash, do qual, em um capítulo da sua carreira, tomado por sentimentos extra-naturais, ele acabou por pintar um quarto de hotel inteiro de preto, movéis, parede, tudo. Aquilo me deixou tão interessado que surgiu a ideia. Às vezes, enxergam isso como uma manifestação depressiva ou algo do tipo, mas sempre me identifico com a expressão de liberdade e espontaniedade do caso”.

Se dependesse do som, dificilmente você diria que o Quarto Negro é uma banda brasileira. Nitidamente influenciados pelo jazz, blues e melancolia – mas sem soar deprê -, a banda surgiu em 2007 e, depois de dois EPs, é dela um dos discos nacionais mais esperados de 2010.

Os motivos são simples: uma sonoridade cheia de personalidade e mais denso, combinando guitarras, piano, metais e letras que falam de relacionamenos, perdas, e por aí vai, e Praça que, ex-integrante do Ludovic, já tem uma legião de fãs prestando atenção nos seus próximos passos.

Inicialmente, o Quarto Negro era uma banda de um homem só (Praça). Uma temporada ao lado de Klein em Nova York começou a dar novos rumos à banda. Na sequência, um convite irrecusável de um amigo, cineasta, para compor uma música tema – Zoroastro – e, tempos depois, o Quarto Negro já não era uma banda de um homem só.

“Nunca foi opção iniciar e tocar as coisas por conta própria. Em determinado momento, artísticamente, essa me pareceu a solução mais viável, mas não tardou pra perceber que a soma de pessoas só enriqueceria as coisas. Hoje em dia, posso dizer que tenho como companheiros, pessoas especiais e muito agregadoras. Seguramente, devo muito desse momento ao Thiago, Fabio e Diogo”, conta Praça em entrevista ao Palco Alternativo.

Toda a busca por algo novo e mudança do passado com o Ludovic, precisou de um tempo para Eduardo assumir outro projeto, o que as temporadas em NY e San Telmo, em Buenos Aires, ajudaram bastante. Nas palavras do próprio Praça, não era algo que faltava, mas que estava mal assimilado:

“Na verdade, acho que tinham coisas até demais. Os novos ares, serviram mais pra me desvincular, do que pra agregar, por incrível que isso soe. As pessoas se apegam muito ao fato da idéia de fugir buscando novas coisas pra si, quando na verdade, você precisa mesmo é de um tempo pra desfazer o nó todo que estava feito” , conta ele, sem deixar de lado toda a bagagem do Ludovic.

“Devo muito, talvez quase tudo, ao anos que passei com o Ludovic. Se existiram pessoas que me ajudaram e me formaram, como músico e compositor, foram eles. Não me canso de mencionar, que as coisas aconteceriam de forma muito mais devagar sem essa experiência musical e espiritual”.

Fora do Brasil

Além de vigor, a temporada no exterior trouxe novas experiências para a banda. “O fato de estar lá com o rosto aberto de forma tão contundente nos colocou em um patamar acima, definitivamente. Embora toda a barreira linguística e aspectos culturais terem movido menos do que eu imaginava, o fato de estar entregue há algo que apenas você acredita e entende, mexe mais com as pessoas do que qualquer interpretação fictícia do que você gostaria de ser”, diz Eduardo sobre os shows nos EUA.

A identificação do público talvez deva-se ao fato de que a música do Quarto Negro tem algo do rock alternativo feito lá fora, mais do que influências brasileiras. Ouvindo, a sensação que se tem é de que a música soa perfeita par a fog londrina ou para os dias nublados de Sampa.

“Não chega a ser algo que a gente discorde plenamente, mas não sei até que ponto nos vemos influenciados por algum clima que não nos pertence, seja lá londrino, porteño ou algo do tipo. Desde que me juntei aos meninos, sempre esperamos essa recepção de público/imprensa apontando a melancolia, mas nunca foi algo que procuramos ou que realmente acreditávamos, as coisas surgiram de forma natural e involuntária”, diz Praça.

EPs e próximos passos

Deposi do EP Zoroastro, uma das músicas mas impactantes do grupo, o Quarto Negro recrutou um time de peso para o EP seguinte,  Bom dia lua:  Chuck Hipolitho e Kevin Nix.

Praça conta que a parceria com Chuck já estava programada mas as agendas adiaram um pouco o encontro, que só foi acontecer no final de 2009. Com relação ao Kevin, “o Fabio, quando morou nos Estados Unidos, fez uma amizade, que por ironia e sorte do destino, dias antes da masterização no Brasil, nos levou aos engenheiros do estúdio em que o Big Star costumava trabalhar em Memphis. O contato foi rápido e produtivo”.

Uma das diferenças entre os EPs é a presença do piano de Thiago, que ganhou mais destaque nas canções no segundo EP, aumentando, de certa forma, o tom melancólico das canções.

Quanto ao próximo disco, Eduardo não dá muitos detalhes, mas por algumas entrevistas que tem dado, pode-se imaginar que os meninos pretendem dar um passo à frente, a exemplo do que fizeram nos dois EPs.

“Estamos em processo de composição. Pra ser sincero, esse assunto é tratado com muita ansiedade e expectativa. Estamos transbordando pra ter esse disco em mãos. Não temos os maiores detalhes do mundo pra dar, mas podemos adiantar que ele sai ainda em 2010, e que a gravação não deve ser feita no Brasil”.

Para ouvir, acesse: http://www.myspace.com/quartonegro.

Raio-X: Conheça a Vilania, banda que Chuck Hipólito assina embaixo

Banda Vilania

[Por Natasha Ramos]

Banda tem show marcado para o dia 31/1, domingo, no Asteróide Bar, em Sorocaba

Após assistir a um show da Vilania, Chuck Hipolito, ex-guitarrista e vocalista do Fogotten Boys, se impressionou com o som da banda e os convidou para gravarem sua primeira demo, OrnaouDesorna, com produção dele.

Após o lançamento, surgiu o convite para participar do programa Banda Antes na MTV, o que contribuiu para adquirirem certa notoriedade na imprensa: foram entrevistados na 1ª edição da Rolling Stone Brasil e no site do portal Tramavirtual, receberam indicação na coluna “Conexão Brasil” da Revista Bizz de outubro de 2006 e na coluna “5 Luxos e 1 Lixo”, da Revista Super Interessante de julho de 2007, em que a atriz Débora Falabella (esposa de Chuck) elegeu suas 5 bandas preferidas, entre elas, estava a Vilania.

Com tanto burburinho em torno da banda, o Palco Alternativo resolveu ouvir o som dos caras (e garota) para saber mais sobre eles. Confira o Raio-X da Vilania.

Integrantes e início

O grupo é formado por Tescaro (vocal), Thamila Zenthofer (vocal), André Lugoff (baixo), Rafael Oliver (guitarra) e Alê Cruz (batera que entrou em 2007, substituindo o antigo, Ítalo). A banda é quase toda de Sorocaba, com exceção de Tescaro, que veio de Votorantim (ambas, cidades do interior e SP).

Oficialmente, a Vilania existe desde março de 2006. Antes disso, porém, seus integrantes tocavam em duas bandas de cover distintas, Anjos das Sombras e Oliva, que se apresentavam em clubes noturnos de Sorocaba.

A idéia de montar o grupo surgiu na metade de 2005, com o término, quase que simultâneo, das duas bandas. Os integrantes de ambas mantiveram contato e se reuniam em ensaios, a título de diversão. É então que, no terceiro ensaio, Rafael chega com algumas composições próprias e, a partir daí, a banda toma fôlego e começa a investir em músicas autorais. Não demora muito para que o hobby de até então se tornasse algo mais sério, e os integrantes começassem a pensar na proposta da banda.

“Esse processo aconteceu muito rápido, até por conta da experiência que cada um acumulou com suas bandas anteriores”, comenta Tescaro, vocalista da banda.

Influências

“Somos cinco integrantes, então é difícil dizer [quais as influências da banda]. Temos influências de Strokes, Nirvana, Ramones… É uma ‘mistureba’ geral que não conseguimos definir ao certo qual nosso gênero. Nosso som tem o lance de ser meio pop rock, para alguns, alternativo, para outros, difícil de encaixar. Tem também influência de Mutantes, por conta do lance dos dois vocais e tal, mas não sabemos bem definir. O Rafa se inspira muito em cinema para compor, algumas músicas citam Tarantino e Kubrick, por exemplo”.

Shows

Em Sorocaba, Tescaro conta que eles já se apresentaram em quase todos os bares de rock e em festas. Em São Paulo, já tocaram em redutos do rock alternativo como Outs e Inferno (ambas na Rua Augusta), além da Fun House (casa, situada na Bela Cintra).

Além disso, “tocamos em várias edições do Grito Rock, em festivais locais e nas principais casas de rock de cidades como Piracicaba, São José dos Campos, Criciúma, Rio do Sul, Floripa, Curitiba e Porto Alegre”, conta.

A banda tem show marcado para o dia 31 de janeiro, domingo, no Asteróide Bar, em Sorocaba.

Músicas

O Vilania possui nove músicas nos dois trabalhos lançados (cinco na demo Orna ou Desorna, e quatro no EP Assenzio Selvatico, além das que não foram gravadas.

“No show, também tocamos músicas que não foram gravadas, em média de 13 a 15. O pessoal que acompanha a gente grava as músicas no celular ou de alguma outra maneira e disponibilizam na internet. Achamos isso ótimo, é uma forma de divulgação”, comenta Tescaro.

Clique na imagem e acesse o site da banda

Ambos os trabalhos estão com tiragem esgotada, mas podem ser encontrados na internet. As músicas de Orna ou Desorna e Assenzio Selvatico podem ser ouvidas no site da banda (www.vilania.com.br), no myspace (www.myspace.com/vilania) ou na página da Vilania na Tramavirtual (http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=48697)

Chuck Hipólito e Vilania

A respeito da experiência de trabalhar com o Chuck, Tescaro comenta: “Conhecemos ele num show em Sorocaba, em que abrimos para o Forgotten [Boys, banda de Chuck]. A gente estava com três meses de banda, queríamos gravar um show para mostrar para ele nesta oportunidade, pois sabíamos que, além de tocar, ele também tem um trabalho com produção. Não deu certo gravar esse material, mas no dia do show, felizmente, ele acabou se interessando pela banda, gostou do som e nos convidou para gravar no estúdio El Rocha, em São Paulo. Desde então, ele dá uma força tremenda, é um paizão para banda. Além de ter colaborando na parte artística e produção nos dois trabalhos do Vilania, ele sempre nos apoiou”.

Futuro

O Vilania gravou na metade de novembro de 2007, um DVD ao vivo com shows em Sorocaba e composições inéditas, ainda sem previsão de lançamento. “Estamos focados na finalização do nosso primeiro álbum, que, no momento, é a prioridade, mas queremos também lançar esse DVD, que marca o registro dos 2 primeiros trabalhos da banda: Orna ou Desorna e Assenzio Selvático”, explica Tescaro.